Conhecida como a aplicação mais popular do país, a poupança está longe de ser a mais rentável.

Balanços do Banco Central (BC) no fim do ano de 2019 demonstram que a mesma encerrou o ano no azul, mas sua captação líquida foi a menor dos últimos três anos.

Isso significa que o saldo entre as aplicações e o resgate de capital na poupança está com os piores dados desde 2016.

Só no ano passado, os depósitos superaram os saques de R$ 13,2 bilhões (menor número em 2016), quando R$ 40,7 bilhões foram retirados das cadernetas.

Fechando no Azul

Mesmo com grandes retiradas ao longo do ano de 2019, os depósitos na poupança foram maiores do que os saques, e somaram R$ 2,475 trilhões.

Com esse volume, a poupança fechou em dezembro com R$ 845,4 bilhões, sendo 5,7% a mais do que o fechamento em 2018. Dessa perspectiva, o cenário da poupança cresceu.

No entanto, boa parte do aumento desse saldo se deve aos rendimentos depositados nas contas (que também são contabilizados). Sendo assim, devido a baixa rentabilidade, é bem provável que no fim de 2020 este valor esteja menor.

Aumento dos Saques

Especialistas afirmam que o aumento dos saques da poupança se devem ao fato de que a população busca investir em outros locais mais rentáveis, como o Tesouro Direto, por exemplo.

Hoje, a poupança é remunerada somente a 70% da Selic, que é a taxa básica de juros da economia que, inclusive, está em seu valor mais baixo no patamar histórico: 4,5% ao ano.

Esse pequeno rendimento justifica a saída dos investidores para outros ativos.

De acordo com o balanço do Tesouro Direto de novembro de 2019, emitido pelo Tesouro Nacional, os títulos mais demandados pelo investidores foram indexados à inflação, como o Tesouro IPCA, e à Selic.

Segundo Miguel Ribeiro, diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) em entrevista ao Jornal Globo, a tendência para 2020 é que o número de saques na poupança aumente ainda mais.

” O ambiente ainda é de uma economia andando de lado, e com desemprego alto. Com isso, há menos pessoas conseguindo guardar dinheiro de um lado, e de outro lado, tendo que sacar dinheiro para sobreviver. Frente a esse cenário de Selic baixa, a poupança vai perder para a inflação, então vai ter cada vez mais gente sacando dinheiro e indo para outros tipos de investimento, buscando retorno maior.”

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