O ‘Financial Times’ afirmou em reportagem que o megaleilão do pré-sal no Brasil foi considerado um fracasso. O jornal britânico ainda completou dizendo que os motivos para tal eram os preços altos, regras complexas e preocupação com o futuro, por parte dos investidores.

Em reportagem, o Times ainda questiona a viabilidade de projetos de exploração de petróleo nos dias atuais, visto que a preocupação pela energia limpa tem crescido no mundo todo.

“Muitas grandes petroleiras ocidentais estão sob pressão dos acionistas para pensar cuidadosamente sobre grandes projetos, disseram graduados diplomatas estrangeiros em Brasília”, segundo o FT.

O especialista Cláudio Porto, da Consultoria Macroplan Prospectiva afirma que de fato, as reservas são valiosas, mas os investidores ainda estão cautelosos e aguardam uma maior clareza do cenário político e econômico do Brasil. Por isso, muitas se abstiveram de dar os lances.

Quem Participou Do Leilão?

Sem concorrência nos lances mínimos, a Petrobrás arrematou duas das quatro áreas que estavam em leilão no pré-sal essa semana. Na maior delas, teve participação das estatais chinesas CNOOC e CNODC.

As áreas restantes não tiveram interesse por nenhuma empresa e, por isso as expectativas de arrecadação do governo foram frustradas.

Com as perspectivas iniciais de R$ 106 bilhões, o megaleilão só arrematou R$ 69,9 bilhões. 

No consórcio formado pela Petrobrás e pelas empresas chinesas, a primeira será responsável por 90% do valor arrecadado na área de Búzios – a maior descoberta de petróleo no país. 

Nos leilões de pré-sal, o bônus de assinatura é fixo, mas a disputa de lances se dá na quantidade de petróleo fornecida ao governo durante a vida útil dos contratos. As empresas acima ofereceram o lance mínimo de 23,24% em óleo e não tiveram concorrência.

Desdobramentos do Fracasso

No início do leilão, o mercado financeiro reagiu mal ao predomínio da estatal e a ausência de grandes empresas privadas nos lances. Das 14 inscritas, apenas sete apareceram e poucas deram lances.

As ações da Petrobrás, no momento do leilão, foram de uma alta de 3% para uma queda de 3% logo após sair o resultado de Búzios, a primeira área. Mais tarde, os papéis se recuperaram, mas ainda há temor por parte dos acionistas nessa nova empreitada.

Em entrevista após o leilão, o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, disse que está feliz com o resultado e minimizou a queda das ações avaliando que a empresa tem condições de realizar o investimento sem aumentar sua dívida.

Para o ‘Financial Times’, tal evento pode alcançar ainda desdobramentos maiores: “O fracasso do leilão deve desanimar esperanças mais amplas dos investidores de que o Brasil está no caminho para liberalizar sua economia historicamente protecionista”, avalia o jornal.

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