Assim como em outros setores da economia, as startups chegaram inovando no mercado de seguros, com propostas tentadoras, como a possibilidade do usuário pagar apenas pelo que efetivamente usa.

Uma dessas  insurtechs – termo que junta as palavras em inglês “insurance” (seguro) e “technology” (tecnologia) é a Onsurance, que oferece um seguro de carro pré-pago.

Tal como se faz com a telefonia, nesse seguro o usuário coloca crédito em sua conta, que vai se esvaindo a medida que utiliza. Quando o carro está parado, não há desconto e, diferente dos seguros tradicionais, características como sexo ou idade do motorista não alteram o valor final.

“Não importa se é jovem ou velho ou onde mora. Instalamos um dispositivo no automóvel que captura como a pessoa conduz, e aí acontecem ajustes de preço. É mais justo. A pessoa pode ser nova e dirigir educadamente”, diz Adilair Silva, 35, cofundador.

O valor mínimo para se colocar o crédito em um carro popular é de R$ 1.199.

Seguro de Carro até 80% mais barato

A empresa afirma que ao usar seu produto, o cliente estará economizando entre 50% a 80% do valor de uma seguradora tradicional.

Com isso a gente atinge pessoas que não eram atendidas por esse serviço. Cerca de 70% dos nossos clientes nunca tinham tido um seguro automotivo”, diz Ricardo Bernardes, 43, fundador.

A Onsurance, que é de Brasília, foi fundada em 2017 e emprega dez pessoas. Sem revelar quantos clientes tem ou o faturamento, a empresa diz já ter cuidado de mais de 4 milhões de minutos dirigidos.

ThinkSeg

A ThinkSeg, que começou em 2016, está mudando seus processos para oferecer um serviço parecido, no qual quem dirige mais paga mais.

Atualmente, a empresa testa o serviço “pague pelo que usar” com cerca de mil clientes que funciona da seguinte maneira: o contratante paga uma mensalidade, mais uma taxa por rodagem.

“Não há transparência sobre o que se paga nesse mercado. Você sabe que se usar mais água e luz vai pagar mais. Por que com seguro não pode ser assim?”, questiona André Gregori, diretor executivo.

Através de um aplicativo que contém inteligência artificial, a empresa consegue acompanhar a prudência do motorista ao volante e usar esses dados para medir o preço da taxa a ser paga.

A estimativa é que, na média, o serviço custe R$ 90 para um carro popular.

Cobertura de Furto Simples

Não é só no mercado automotivo que as seguradoras estão inovando. A Pier, por exemplo, foca na proteção de celulares.

“Há uma relação desgastada entre segurados e seguradoras no Brasil, com burocracia de um lado e fraudes do outro. Como não temos intermediários, consigo ter uma relação transparente para explicar exatamente o que cobrimos e como funciona”, diz Lucas Prado, fundador.

Uma vez aprovado na empresa, o cliente paga mensalidades a partir de R$ 6,10 pelo serviço

O maior diferencial da empresa é a cobertura de furto simples, aquele que acontece quando o ladrão rouba o celular de dentro da mochila sem danifica-la, por exemplo.

Segundo uma análise da empresa, baseada em dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, 90% dos furtos de celular no estado são simples. E mais da metade das 400 indenizações já pagas pela Pier foram por esse delito.

Para Eduardo Glitz, sócio da StartSe, empresa de educação executiva voltada para a nova economia, insurtechs são tendência:

“A tecnologia elimina intermediários [no caso, corretores] e barateia serviços. Acho que pode haver um boom dessas empresas, assim como há das fintechs. O setor bancário e o de seguros são concentrados.”

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