Em meio à pandemia causada pelo novo coronavírus, muitos brasileiros saem de casa apenas para irem até o mercado, e todas as vezes que vão às compras, se assustam com os preços. No último mês a inflação registrou o seu menor número desde a criação do Plano Real.

No entanto, percebe-se que os produtos essenciais para esse momento estão com os preços disparados e com uma variação de até 400% de um mercado para o outro.

Dada a quantidade de reclamações recebidas pelos consumidores, os órgãos de fiscalização abriram uma série de investigações para identificar e punir a prática de preços abusivos no comércio.

Preços Sob Vigilância

Somente no Procon do Distrito Federal, foram constatadas mais de 700 queixas de preços abusivos desde que o novo coronavírus impôs o isolamento social no Brasil.

Diante do crescente aumento de denúncias por parte dos consumidores, foram escolhidos 15 produtos básicos cujos preços estão sendo monitorados pela entidade, entre eles o álcool em gel, detergente, papel higiênico, arroz, feijão, carne, ovos e leite.

Com o medo da quarentena, infelizmente muitos consumidores se desesperam e acabam estocando produtos essenciais em casa. Assim, quando os mesmo chegam nas prateleiras, os comerciantes aproveitam a procura e aumentam o preço do produto.

O papel higiênico, por exemplo, ficou 0,58% mais caro em março, segundo a inflação oficial brasileira, calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além do aumento dos valores, percebe-se um alto índice de variação entre estabelecimentos diferentes, que pode chegar em até 400%. Ainda no exemplo do papel higiênico, segundo o Procon, o pacote de 12 rolos custa R$ 8,49 em um mercado, e R$ 22,99 em outro. O mesmo acontece com o álcool em gel que, quando pode ser encontrado no mercado, varia entre R$ 4,50 a R$ 22,00.

Consequências do Preços Abusivos

Ao elevar o valor dos produtos nos estabelecimentos, todos saem prejudicados. Imagine um aumento de cerca de 20% nos itens que você consome diariamente, sempre que isso acontece sem motivo aparente, o consumidor se sente lesionado e com razão.

Por causa disso, ficou decidido que qualquer pessoa pode denunciar um comércio que esteja cobrando um preço considerado exorbitante por determinado produto, basta ligar para o Procon da sua cidade, cujo telefone é 151.

Como devo proceder

Ao receber a denúncia, o Procon, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), trabalham para garantir o bom funcionamento do mercado e, assim, evitar excessos.

Juntos, esses órgãos são responsáveis por averiguar a realidade do estabelecimento e garantir que o Código de Defesa do Consumidor esteja sendo respeitado. Porém, o processo deve ser analisado com muita calma, pois, de acordo com o gerente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, Pedro Kislanov, pode haver justificativa para algumas altas:

“Há dois efeitos agindo sobre o preço dos alimentos. Há um aumento da demanda, porque as pessoas têm ido mais ao mercado e demandado mais consumo em casa. E também pode ter uma redução da oferta, por conta da menor produtividade. O coronavírus pode afetar os dois lados”, explicou.

Na mesma linha de pensamento, economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez complementa: “Estamos em um mercado de livre concorrência. Quanto a oferta e a demanda mudam, há uma reação dos preços, porque ninguém diz para os mercados quanto eles devem cobrar, o preço é livre. E, neste caso, houve uma corrida para os mercados. Então, o preço subiu da mesma forma que caiu o preço de outros produtos cujas demandas diminuíram, como a gasolina”

Caso seja confirmado de fato o preço abusivo, os responsáveis podem receber uma multa de até R$ 9,9 milhões.

Clique aqui para ver mais informações sobre como fazer uma denúncia relacionada a preços abusivos.

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