O circuit breaker é um mecanismo utilizado pela bolsa para interromper o pregão sempre que ocorrem oscilações muito bruscas e atípicas no mercado de ações. Quando isso acontece, esta ferramenta é acionada para amortecer e rebalancear as ordens de compra e venda dos investidores e proteger o mercado da volatilidade. Em seguida, os negócios são retomados.

No caso da Bovespa, os trabalhos são paralisados por 30 minutos, quando há uma queda de 10%, em relação ao fechamento do dia anterior. Neste momento, todos os mercados (ações, derivativos, etc) são interrompidos e retomados após 30 minutos.

Após o circuit breaker, na retomada dos trabalhos, se a queda permanece, pode haver nova paralisação por uma hora, quando o tombo atinge os 15%. Neste caso, os trabalhos são suspensos também no mercado de ações.

Quando há o recuo de mais de 20% na bolsa, a paralisação pode ser feita por mais de uma hora. Sendo assim, a bolsa poderá determinar a suspensão dos negócios em todos os mercados por prazo definido a seu critério, devendo comunicar sua decisão ao mercado.

Um detalhe importante é que o circuit breaker não pode ocorrer na última meia hora antes do fechamento do pregão. Caso haja a paralisação na penúltima meia hora, os trabalhos poderão ser prorrogados por mais 30 minutos, sem interrupção, com o intuito de garantir o período final de negociação de 30 minutos.

Em quais vezes o circuit breaker já foi utilizado no Brasil?

Em 18 de maio de 2017, os negócios da Bovespa foram interrompidos por 30 minutos, quando o índice caiu mais de 10%. O cenário para tal fato foi as denúncias contra o então presidente Michel Temer, reveladas na véspera. Temer teria comprado o silêncio do ex-presidente da Câmara e deputado cassado, Eduardo Cunha.

Antes disso, o recurso foi usado em 22 de outubro de 2008, quando a bolsa fechou com queda de 10,18%. Naquele mês, o pregão foi paralisado por quatro vezes por meia hora e uma, por uma hora. Os mercados internacionais enfrentavam forte crise, em meio ao socorro bilionário aos bancos norte-americanos, que começavam a quebrar pela chamada crise do “subprime”. Além disso, temores colocavam em cheque a saúde dos bancos europeus.

Outro momento em que o circuit breaker foi acionado foi em 14 de janeiro de 1999, na véspera da adoção do câmbio livre no país, os negócios foram suspensos por meia hora. O índice chegou a recuar 9,33%. O mercado temia os efeitos dessa política macroeconômica.

Em 1998, ano da crise russa, o mecanismo entrou em ação por cinco vezes. NO dia 10 de setembro, por exemplo, a bolsa parou por uma hora e fechou em queda de 15,82%.

A primeira vez que o circuit breaker foi acionado no mercado brasileiro foi em 28 de outubro de 1997, um dia após a Bovespa cair mais de 14% durante a crise financeira asiática. O recurso foi usado por mais duas vezes naquele ano.

O que causou o colapso no mercado mundial?

A forte queda no preço do petróleo, impulsionado pelo temor pelo surto do coronavírus e a guerra entre Arábia Saudita e Rússia, derrubou as bolsas pelo mundo. Nesta segunda (9), o valor chegou perto de US $ 30, na maior queda diária desde a Guerra do Golfo (1990 e 1991).

Na abertura dos negócios no mercado asiático, ainda na noite de domingo, no horário de Brasília, o preço do petróleo do tipo Brent chegou a recuar 31%, atingindo mínimas que não eram registradas desde fevereiro de 2016. O barril do tipo Brent chegou a atingir US$ 31,02, enquanto o WTI chegou bateu US$ 27,34.

A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, decidiu adotar o maior corte dos preços do barril em 20 anos, o que gerou uma tempestade nos mercados. O país sinalizou também que elevará a produção para ganhar participação no mercado, que já está com sobreoferta devido aos efeitos do coronavírus sobre a demanda.

De acordo com a Agência Bloomberg, a Arábia Saudita cortou entre quatro e seis dólares o preço de seus barris para entrega em abril destinados à Ásia e em sete dólares os destinados aos Estados Unidos. Além de cortar o preço, a Arábia Saudita anunciou planos de aumentar a produção acima de 10 milhões de barris por dia (bpd) em abril, depois que a Rússia se recusou a aderir a cortes adicionais de oferta propostos pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para estabilizar os mercados da commodity.

A decisão da Arábia Saudita de reduzir o preço e aumentar a produção vem após do fracasso nas negociações entre Opep e a Rússia, que é o 3º maior produtor mundial e se opôs à proposta de cortes mais profundos na produção sugeridos pelos países do grupo para estabilizar os preços do petróleo.

Se você quiser saber como essa crise da economia mundial pode te afetar, clique aqui para ler nossa matéria com os impactos que os brasileiros vão sentir após a crise na bolsa!

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