Esta semana está sendo conturbada no mundo das ações com as bolsas mundiais operando no negativo desde a sua abertura na manhã de segunda-feira (9). O maior motivo desse acontecimento é o fato de que a Arábia Saudita iniciou uma guerra de preços com outros países da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados).

Isso aconteceu ainda durante o fim de semana, motivado pelo não convencimento da Rússia a participar dos planos de cortes na produção. Em retaliação a negativa, o país do Oriente Médio anunciou que venderá os barris a 80% do preço convencional. Mas o que vamos responder nesta publicação, é como isso repercutiu no mercado brasileiro e internacional.

Reflexo da Tensão no Brasil

Em solo brasileiro, o Ibovespa caiu um pouco mais de 10%, o que acabou acionando o circuit braker, que é um mecanismo similar a um escudo financeiro, frente à volatilidade excessiva em momentos atípicos do mercado.

Para o investidor brasileiro, o impacto dessa notícia tem sido significativo, já que a economia já estava abalada devido ao aumento de casos de pessoas infectadas com o coronavírus. Mas, consumidores que não possuem ações também devem estar atentos as consequências que virão na economia nacional.

Rafael Schiozer, professor de finanças da FGV EAESP, alerta para o conjunto de fatores que estão impactando a economia global simultaneamente.

“O Coronavírus já estava desacelerando a economia, e ainda é preciso acompanhar o desempenho do vírus ao redor do mundo, somado à essa divergência na Opep+, concretizada pela retaliação da Arábia Saudita em cortar o preço do petróleo, a incerteza nos mercados só aumenta”, explica.

Combustível: Queda Deve Ser Branda

O presidente Jair Bolsonaro informou através da sua conta no Twitter que a Petrobrás manterá sua política de repasse de preços, alterando o valor que chega para o consumidor brasileiro:

“Não existe possibilidade do Governo aumentar a CIDE [Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico] para manter os preços dos combustíveis. O barril do petróleo caiu, em média, 30% (US$ 35 o barril). A Petrobras continuará mantendo sua política de preços sem interferências. A tendência é que os preços caiam nas refinarias”, diz o post.

Apesar Disso, Schiozer explica que a redução não deve impactar muito nos valores da gasolina e irá demorar um pouco para acontecer.

“Tem alguns fatores envolvidos: se o preço baixo dos barris perdurar e a Petrobras mantiver sua política de repassar os preços internacionais, o valor do combustível na bomba deve cair nas próximas semanas, mas esse processo nunca é imediato. Ainda, essa queda no preço deve ser revertida em breve, não totalmente mas boa parte do preço deve ser recuperado”, afirma.

O professor ainda lembra do atual momento que estamos vivendo que está caracterizado pelo rali do dólar, afirmando que este também influencia nos preços para o consumidor final.

“Na prática, a alta do dólar deve compensar parte da queda do preço do barril. O rali de alta da moeda está muito forte. Por isso, esse repasse da Petrobras para o consumidor final deve acontecer gradualmente, e dependendo do comportamento do dólar, o impacto líquido dessa redução será pequeno em termos numéricos”.

Portanto, deve-se esperar e observar como a Arábia Saudita irá se comportar essa semana. Se a Rússia atender sua solicitação, por exemplo, os preços tendem a voltar ao normal. Para Rina Xavier Pereira, economista e gerente geral Ibmec DF, “A regulação do mercado agora é ordem prioritária para que as bolsas de todo mundo não tenham uma quebra forte. Por isso, acho que essa queda no preço do combustível não acontece imediatamente”.

Outros Produtos e Serviços

Partindo do princípio de que a queda do petróleo permaneça por um tempo maior, outras áreas da economia serão afetadas, como todo produto derivado do mesmo, por exemplo. Veja as previsões feitas por Rina:

Cosméticos, remédios e produtos de limpeza: o valor final dos mesmo pode ser impactado . Inicialmente, o preço mais baixo poderá ser benéfico para o consumidor, no entanto, a médio e longo prazo trará uma grande desaceleração econômica ao país.

Passagens aéreas: a queda do petróleo em si não tem uma relação direta, mas pode diminuir um pouco o preço das passagens, caso haja diminuição do valor do combustível e as empresas decidam passar essa alteração para o consumidor final.

Turismo nacional: tende a se fortalecer, com o risco de se viajar para o exterior, devido ao surto do coronavírus.

Schiozer, da FGV, finaliza afirmando que a palavra de ordem é a incerteza. “Não tem como prever muita coisa, mas a notícia positiva para o consumidor final pode ser uma pequena redução no preço do combustível”, afirma o professor.

Fonte: Infomoney
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