Os testes pré-clínicos de candidaturas a vacina contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2), na Itália, apresentaram resultados positivos. Luigi Aurisicchio, CEO da empresa romana Takis Biotech, que conduziu estudos com cinco vacinas, afirmou que houve uma “forte produção de vídeos” com uma dose única.

Segundo o pesquisador, dependendo da evolução dos trabalhos, os primeiros testes em humanos podem se iniciar a partir de setembro: “Os primeiros resultados nos modelos pré-clínicos demonstraram uma forte imunogenicidade das candidatas à vacina”, registra Aurisicchio, acrescentando que duas delas parecem mais promissoras.

Os resultados definitivos são esperados para meados de maio e os testes em humanos podem começar a partir de setembro. Como todas as cinco vacinas se baseiam em uma tecnologia chamada eletrônica, que consiste em um impulso elétrico no músculo para aumentar a permeabilidade das membranas celulares, foram cortadas a partir de materiais genéticos correspondentes a diferentes partes da proteína “spike”, que é o vírus utilizado para agredir como células e se multiplicar.

De acordo com a Defesa Civil italiana, o país registrou 156.363 novos casos de coronavírus e 19.899 óbitos – no último domingo (12) -, mas os números estão mais desacelerados, há algumas semanas, em funções das medidas de isolamento, adotadas pelo governo local.

Vacina financiada por Bill Gates deve começar a ser testada em humanos

A Inovio Pharmaceuticals, pequena empresa de biotecnologia na Pensilvânia, nos Estados Unidos, recebeu autorização regulamentar para iniciar os testes de uma potencial vacina contra o novo coronavírus, causador da doença covid-19. A empresa recebeu financiamento da Fundação Bill e Melinda Gates, além de outras organizações, para o projeto de vacinas. O experimento deve começar a partir desta semana.

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Chamada de INO-4800, esta é a segunda potencial vacina contra o coronavírus a iniciar testes em seres humanos, segundo a Business Insider. Para a realização do experimento, a empresa vai testá-la em cerca de 40 voluntários adultos e saudáveis ​​na Filadélfia, na escola de medicina da Universidade da Pensilvânia, e em Kansas City, Missouri, no Center for Pharmaceutical Research.

Cada voluntário receberá duas doses, em um intervalo de quatro semanas. A empresa disse que espera uma resposta rápida dos resultados do estudo, e se forem positivos, iniciará outra pesquisa, mas focada na avaliação da eficácia da vacina contra o vírus. Por causa da demanda global por conta da pandemia, a Inovio afirmou que está ampliando suas capacidades de produção e pretende ter 1 milhão de doses disponíveis até o final de 2020.

Anthony Fauci, líder da unidade de doenças infecciosas dos Institutos Nacionais de Saúde, resalta, no entanto, que levará pelo menos um ano para saber se alguma vacina é, de fato, eficaz e segura, contra o vírus.

Brasil entra na luta no combate à doença

Uma vacina para o coronavírus está em desenvolvimento por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo). Os testes ainda não foram feitos em animais ou humanos, mas a expectativa é de que aconteça dentro de alguns meses, resultando numa vacina com resposta rápida contra o vírus, possibilitando a criação dos anticorpos necessários.

O professor Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Incor (Instituto do Coração) da Faculdade de Medicina da USP, fala que o processo de desenvolvimento da vacina se dá a partir da criação de uma partícula semelhante ao coronavírus, o VLP (virus-like particle, em inglês), que, na verdade, é como se fosse um vírus oco, sem o material genético e, portanto, sem a transmissibilidade da doença, o que torna seguro usar em vacinas. “Colocamos as partes do coronavírus que são importantes para desencadear uma forte resposta do sistema imunológico, para emitir os anticorpos bloqueadores e impedir o vírus de penetrar nas células”.

Testes ainda vão demorar

A vacina em desenvolvimento no Brasil difere da que já está sendo testada nos Estados Unidos. Lá, é utilizada a tecnologia mRNA, que insere na vacina uma partícula sintética do RNA mensageiro do vírus e, então, é injetada no organismo humano e instruída a produzir proteínas que possam ser reconhecidas pelo sistema imunológico. De acordo com Kalil, diferente das mRNA, as vacinas com VLP já possuem histórico de uso, como no papiloma vírus —o HPV. As respostas tendem a ser mais robustas, enquanto a utilização da mRNA gera respostas mais tímidas.

O professor explica que a parte importante do vírus, a que penetra na célula e que é utilizada para a criação do VLP, são as coronas, ou espículas, que ficam na parte exterior do vírus. “No laboratório, a gente consegue sintetizar essa parte da proteína in vitro. A gente inclui esse peptídeo na partícula viral. São várias proteínas que sintetizamos e forma uma partícula, que colocamos junto a um pedaço do coronavírus que a gente escolheu”.

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