O cheque especial é uma das linhas de credito mais caras do país, e infelizmente, uma das mais utilizadas pelos consumidores. Pelo menos é o que aponta uma pesquisa divulgada pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) Brasil.

De acordo com o levantamento, 40% dos entrevistados afirmaram que utilizaram essa modalidade todos os meses do último ano. Na mesma pesquisa, foi constatado que 29% desses consumidores utilizam o cheque especial a cada 2 ou 3 meses e 26,7%, três vezes ao ano.

Diante de números tão grandes de pessoas utilizando essa perigosa linha de crédito, o educador financeiro do SPC José Vignoli alerta:

“É um erro incorporar o limite do cheque especial como parte da renda. Essa ilusão pode levar o consumidor a gastar mais do que o orçamento permite e ver sua dívida se transformar em uma bola de neve muito difícil de ser paga”

Isso mostra que muitos brasileiros, até mesmo os que usam essa modalidade, ainda não entenderam como é seu funcionamento. Afinal, o que é cheque especial?

Afinal, o que é o cheque especial?

Trata-se de uma linha de crédito pré-aprovado que os bancos oferecem para os clientes que possuem conta corrente. Normalmente ele é utilizado assim que o dinheiro de uma determinada conta chega ao fim, ou seja, ele o saldo negativo.

Imagine: você já gastou todo o dinheiro da sua conta, mas precisa realizar um saque de R$ 200 por exemplo para uma emergência. Ao invés de bloquear sua conta bancária por falta de recurso, o banco te disponibiliza um limite a mais para cobrir essa despesa, a partir desse momento, você passa a utilizar o famigerado cheque especial.

É como se fosse um empréstimo automático que o banco deixa disponível para você usar a qualquer momento, e o valor dele muda de acordo com a avaliação que a instituição faz de cada cliente.

Porém, toda essa facilidade e agilidade que existe para o uso do cheque especial, faz com que muitas pessoas a utilizem como extensão de sua conta corrente. Por isso, cuidado. Fazendo dessa forma, existe um grande risco de se endividar para valer, já que os juros praticados por essa modalidade são um dos mais altos do mercado.

Além disso, poucas instituições financeiras oferecem um período isento para o uso de seus respectivos cheques especiais. E mesmo os bancos que dão uma carência para seus clientes, o que varia em até dez dias de isenção de juros, quando termina o prazo estabelecido no contrato, começam a ser cobradas taxas exorbitantes sobre o valor que ficou na conta em aberto.

De acordo com o Serasa, enquanto a cobrança de juros no empréstimo consignado é de 42,8% ao ano, no cheque especial os juros sobem para 327% a.a, ou seja, se você pegou aqueles R$ 200 no cheque especial e não conseguir pagar nos próximos doze meses, no fim do período, a sua dívida com o banco será de R$ 654.

Não Caia Na Armadilha do Cheque Especial

O que acontece na maioria das vezes, é que a pessoa se acostuma a ter um crédito quando o dinheiro acaba, e acaba usando esse crédito como uma espécie de “reserva financeira”.

Mas a questão é a seguinte, por mais que aquele dinheiro esteja disponível com uma certa facilidade e rapidez, o dinheiro não é seu, e se você usá-lo, será preciso pagá-lo com o acréscimo de juros. Por isso, sempre que essa ideia de utilizar o cheque especial surgir, lembre que essa é a pior solução possível, apesar de toda sua facilidade.

Diante disso, o melhor a se fazer para evitar essa situação é se planejar. Por isso, veja também nosso post com as dez lições sobre o dinheiro e aprenda a se organizar e a criar uma reserva de emergência, caso surja alguma necessidade.

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