Na semana passada, o Unum te mostrou como surgiu o dinheiro no mundo, além de sua evolução, desde os primórdios (com o escambo) até os dias atuais, com o processo totalmente digitalizado, quando se envia grandes quantias de dinheiro para qualquer parte do mundo, em pouquíssimo tempo.

E por aqui? Como é a história fascinante, porém conturbada, do nosso dinheiro? Como ocorreram as sucessivas trocas de moedas, desde o período colonial, até que, finalmente, o real se estabilizou e segue firme, até os dias de hoje?

Ficou curioso? Quer saber todos os detalhes da história do nosso dinheiro? Você está no lugar certo! Na sequência, a gente detalha cada caminho traçado pela nossa moeda!

O dinheiro no Brasil Colônia (1500-1822)

O primeiro dinheiro a circular no Brasil foi a moeda-mercadoria. Durante muito tempo, o comércio foi feito por meio da troca de mercadorias, mesmo após a introdução da moeda de metal. A primeira “moeda” brasileira, de fato, foi o açúcar, que, em 1614, passou a valer como dinheiro por ordem do governador Constantino Menelau. O fumo, o algodão e a madeira também eram muito utilizados com essa função.

As primeiras moedas metálicas – de ouro, prata e cobre – chegaram com o início da colonização portuguesa. A moeda portuguesa, o real, foi usada no Brasil durante todo o Período Colonial. Assim, tudo se contava em réis, que era o plural popular de real. O dinheiro vinha de Portugal, mas sua origem verdadeira era a Espanha, muito mais rica em reservas metálicas, devido à maior abundância de ouro e prata em seu império. Houve até uma época, durante a dominação de Portugal pela Espanha (1580 a 1640), em que a moeda utilizada na Colônia brasileira era o real hispano-americano, cunhado na Bolívia.

Em 1624, a Holanda invadiu pela primeira vez o Nordeste brasileiro. Sob seu domínio, foi realizada a primeira cunhagem de moedas em território nacional. Quadradas, pequenas, feitas em ouro e prata, elas surgiram em Pernambuco, em 1645.

Primeiras moedas cunhadas no Brasil, os florins foram fabricados em ouro pelos holandeses, quando ocuparam o Nordeste brasileiro (1630 – 1654).

As casas fabricantes de moedas foram criadas por aqui à medida que os lugares iam se desenvolvendo e necessitavam de dinheiro. A primeira foi a Casa da Moeda da Bahia, seguida pelas do Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais.

Quando a Corte portuguesa veio para o Rio de Janeiro por conta das Guerras Napoleônicas, o crescimento dos gastos por causa de sua presença e a falta de metal precioso levaram à necessidade de emissão de moeda de papel para atender ao comércio. Criou-se, então, o Banco do Brasil, e, em 1810, foram lançados os primeiros bilhetes de banco no país.

O dinheiro no Brasil Império (1822-1889)

Quando D. João VI voltou para Portugal, no entanto, levou não só a Corte, mas também o tesouro nacional, aplicando um duro golpe na economia brasileira. As reservas bancárias da Colônia reduziram-se a 20 contos de réis (ou dois mil réis). Passou-se a emitir papel-moeda sem lastro metálico suficiente, o que ocasionou a progressiva desvalorização do dinheiro. Assim, quando D. Pedro I se tornou imperador do Brasil em 1822, encontrou os cofres vazios e uma enorme dívida pública. Sob o governo de D. Pedro II a situação melhorou um pouco, principalmente devido à produção cafeeira (que seria o centro da economia brasileira nos próximos cem anos) e à construção de ferrovias e estradas.

Em 1888, com a abolição da escravatura, completava-se parte do caminho – que seria concluído pela imigração – da formação do nosso mercado de trabalho, o que disponibilizou a mão-de-obra necessária para nossa industrialização. Foram evoluções imprescindíveis para o desenvolvimento capitalista no Brasil. No dia-a-dia, passou-se a usar o mil-réis, múltiplo do real, como unidade monetária devido às seguidas desvalorizações.

O dinheiro na República Velha (1889-1937)

A desvalorização transformou-se num mal crônico, e as crises financeiras se sucediam. O governo federal passou a ser o único responsável pela emissão de nosso dinheiro. Apenas em 1911 é que o dinheiro brasileiro registrou sua primeira alta no mercado internacional.

Em 1906, foi criada a Caixa de Conversão para combater a crise no mercado do café, um produto importantíssimo para a economia brasileira da época, e manter equilibrado o poder de troca da moeda do Brasil no comércio com outras nações. A Caixa emitiu cédulas em valores que variam entre 10 mil réis e um conto de réis – o chamado papel-ouro, porque tinha a garantia de ser trocado por moedas de ouro. Ela teve suas atividades encerradas em 1920.

O mil-réis, no entanto, se desvalorizou muito devido à Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, e ao crash da bolsa em 1929, fato que influenciou a economia do mundo todo. Começou nesse período a crise da produção cafeeira no Brasil.

Para tentar estabilizar a situação, criou-se a Caixa de Estabilização, que emitia cédulas que podiam ser trocadas por barras ou moedas de ouro, com o intuito de formar um estoque que tornasse o dinheiro brasileiro mais forte. A Caixa não teve êxito, pois essas crises foram tão fortes que esgotaram os depósitos, e suas atividades foram encerradas em 1930.

O dinheiro no Estado Novo (1937-1945)

A partir de 1933, o Brasil começou a se recuperar. Isso se deveu principalmente à política de defesa dos interesses cafeeiros, já que a demanda interna voltou-se mais uma vez ao produto nacional, por causa da brusca queda da capacidade de importar produtos.

O governo de Getúlio Vargas se preocupava muito em criar medidas de estímulo à indústria brasileira, manipulando investimentos e investindo recursos em segmentos como a indústria de base. Em 1941, surge a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Companhia Vale do Rio Doce.

Já em 1942, o cruzeiro é estabelecido como padrão monetário nacional, substituindo o real. A nova unidade correspondia a um mil-réis.

O dinheiro na Quarta República e na Ditadura Militar (1945-1983)

A desaceleração do crescimento industrial, ocasionado pela Segunda Guerra Mundial, não impediu a consolidação da industrialização no Brasil no fim do Estado Novo, em 1945.

Já com o início da ditadura militar (1964), o ano de 1967 foi marcado pelo lançamento do cruzeiro novo, unidade transitória que equivalia a mil cruzeiros. Em 1970, sua denominação voltou a ser apenas cruzeiro.

De 1968 a 1973, o Brasil passou pelo chamado “milagre econômico”, com a realização de obras e projetos ambiciosos. O PIB cresceu, em média, 11% ao ano, mas a renda tornou-se cada vez mais concentrada, problema que persiste até hoje.

Em 1979, ocorreu uma super desvalorização do cruzeiro, durante o governo de João Figueiredo, quando o nosso dinheiro perdeu, de uma só vez, 30% do seu valor.

A partir do governo Juscelino Kubitschek (1956 a 1960) e durante todo o período dos governos militares (1964 a 1985), houve um supercrescimento da dívida externa brasileira, até que, em novembro de 1983, o país informou aos credores internacionais que deixaria de pagar o principal da dívida, honrando apenas os juros.

O dinheiro na Nova República (de 1983 em diante)

A Nova República herdou como um dos mais pesados fardos a dívida externa e a inflação galopante, que seria o alvo principal de várias medidas e planos econômicos.

O Decreto 2.283 criou, no governo de José Sarney, o Plano Cruzado. Entre as medidas adotadas, estavam a reforma monetária (criação da nova moeda, o Cruzado), o congelamento dos preços e a instituição do gatilho salarial, que era acionado toda vez que a taxa de inflação atingia 20%.

Em 1986, foi desenvolvido o Plano Cruzado II e, em 20 de fevereiro de 1987, o presidente José Sarney informou, em pronunciamento oficial, que o governo brasileiro suspendera unilateralmente todos os pagamentos de juros relativos à dívida de médio e longo prazo devida aos bancos comerciais estrangeiros.

Diversos planos econômicos

Entre 1987 e 1991, foram implementados, de forma sucessiva, vários planos econômicos. Primeiro o Plano Bresser, de junho de 1987. Em 1989, o Plano Verão, que criou o Cruzado Novo. Já no governo Collor, os planos Collor I (que ressuscitou o cruzeiro) e Collor II. A edição sucessiva mostrava o insucesso das tentativas de estabilizar a economia. A inflação pularia de 415,83% ao ano, em 1987, para 2.708,55% ao ano em 1993.

No início da década de 1990, o Brasil passou por um período chamado de abertura comercial e econômica. Tratou-se de reduzir a tarifa de importação, realizar reestruturações industriais e tecnológicas e promover processos de privatizações de empresas estatais com o objetivo de criar condições para que o mercado nacional pudesse enfrentar a concorrência internacional e adequar sua economia ao fenômeno da globalização.

Em 1993, já no governo Itamar Franco, a moeda foi novamente desvalorizada em três decimais: o cruzeiro passou a se chamar cruzeiro real.

Surgimento do real

Tendo a inflação alcançado o alarmante índice de 3.700% nos primeiros onze meses de duração do cruzeiro real, o governo Itamar Franco passou a adotar, a partir de março de 1994, um indexador único da economia, designado unidade real de valor (URV), para estabelecer uma proporção entre salários e preços, o qual iria se transformar em nova moeda quando todos os preços, em tese, estivessem estáveis em termos de URV. Essa estabilidade pressuposta ocorreu em 1° de julho de 1994, quando a URV, equivalendo a 2.700 cruzeiros reais, passou a valer um real, representado pelo símbolo R$.

Em 1998, o real passou pela sua primeira grande afirmação, quando houve uma grande desvalorização da nossa moeda devido à quebradeira de vários mercados pelo mundo, principalmente o russo e o asiático.

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