Você sabia que o Brasil tem mais de 700 startups de serviços financeiros? Até mesmo por isso, a necessidade de inovar nessa área está longe de terminar. A aposta dos investidores nas fintechs é prova disso. A mais recente delas está na Swap.

A fintech oferece serviços financeiros, como criação e gestão de carteiras virtuais, para outros empreendimentos, incluindo outras fintechs. A Swap anunciou uma rodada semente de R$ 17,5 milhões (US$ 3,3 milhões).

De acordo com seus fundadores, os recursos servirão para garantir sua estrutura enquanto capta mais clientes. A fintech viu a demanda crescer nestes meses de pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e já prepara o lançamento de uma oferta de cartões pré-pagos.

Surgimento da Swap

A Swap foi criada pelos empreendedores Alexandre Takinami, Douglas Storf e Ury Rappaport. Todos possuem experiência no mercado de startups. Takinami trabalhou em empresas como a venture builder alemã Rocket Internet e o aplicativo de finanças Guiabolso. Já Storf e Rappaport trabalharam no aplicativo de mobilidade urbana 99.

A ideia para a criação da Swap surgiu da experiência na 99. Storf cuidava de estratégias, enquanto Rappaport cuidava de desenvolvimento de negócios. Os dois queriam criar uma solução de pagamentos própria para a startup de mobilidade urbana, que dependia de diversos provedores financeiros para atender motoristas e passageiros. “A gente via o potencial de controlar nosso fluxo financeiro e criar novas experiências aos motoristas e passageiros”, diz Storf.

Essa percepção logo se tornou uma ideia de negócio: atender todas as empresas com o mesmo desejo de ter sua própria área de serviços financeiros. Algumas inspirações foram as estadunidenses Marqeta e Synapse.Fi e Marqeta. “Quem tem acesso ao sistema bancário costuma se apoderar de todo o valor gerado. Isso não é justo para empresas que investiram na aquisição dos usuários e gerenciam boa parte das dores que acontecem nas transações. Aquele fluxo financeiro passa lá por que elas existem”, explica Storf.

Os empreendedores começaram a desenvolver o produto em outubro de 2018. A Swap teve seu primeiro cliente em julho de 2019. Os empreendedores acreditavam que seus clientes seriam empresas que não trabalham no setor financeiro, mas que queriam ter carteiras virtuais eficientes e com rápida implementação. Seria o caso de marketplaces como a própria 99.

Parceria inesperada

Uma surpresa: o primeiro cliente foi justamente outra fintech. Hoje, a Swap costuma atender empresas de tecnologia B2C. Exemplos são fintechs, marketplaces e varejistas online. São empresas que buscam mais pontos de contato com seus clientes virtuais. Ao mesmo tempo, não conseguem investir em servidores dedicados e especialistas em cabeamento, processamento de informações financeiras e cibersegurança.

“O problema de acesso a infraestrutura tecnológica para fornecer serviços financeiros era maior do que imaginávamos e ainda mais grave em empresas menores. Só existia solução com custo inviável”, afirma Rappaport. De acordo com o empreendedor, essa situação se parece com a da computação em nuvem há alguns anos. Esse era um mercado financeiramente probitivo até a entrada de provedores como a AWS (Amazon).

O que a Swap oferece?

A fintech disponibiliza criação e gestão de carteiras virtuais white label, nas quais as empresas clientes podem colocar a própria marca. Alguns serviços bancários fornecidos nessas contas digitais são depósitos, pagamento de contas e transferências. A Swap pode vender apenas partes da sua solução, atendendo às necessidades imediatas das empresas.

Um dos seus clientes é o Z1, um aplicativo financeiro para adolescentes. “A Swap foi a primeira provedora que tratou o Z1 de forma transparente desde o início, com uma solução feita para negócios que estão começando e precisam de agilidade e flexibilidade para crescerem. Nosso app ficará pronto em apenas três meses, o que não seria possível com outras provedoras”, afirmou em comunicado o fundador Thiago Waddington Achatz.

Cartão pré-pago

Segundo os empreendedores, a pandemia aumentou a procura pela Swap. “Muitas empresas tiveram um impacto grande em sua principal linha de receita. Assim, viram a necessidade de monetizar ainda mais sua base de usuários”, diz Storf. Tomar o controle da própria carteira virtual pode gerar não apenas redução de número de fornecedores, mas uma nova linha de receita.

A expansão da Swap acabou de receber um apoio financeiro. A fintech captou um investimento semente de R$ 17,5 milhões (US$ 3,3 milhões). A rodada foi liderada pelo fundo ONEVC (investor em startups como Docket, EmCasa, IDWall, Kovi, Pipefy e Yuca). Coinvestiram os fundos Flourish Ventures, GFC, SOMA Capital, Hustle Fund, a.b.seed, Canary e Rhombuz Ventures. A rodada também contou com a participação do fundador da 99 e da Yellow, Ariel Lambrecht, e dos fundadores do iFood Guilherme Bonifácio e Patrick Sigrist.

O próximo serviço da startup será permitir que as empresas emitam cartões pré-pagos aos seus consumidores. O cartão está em teste beta e será lançado já no próximo mês. Inclusive, há uma lista de espera até setembro.
A Swap deve passar pela prova de fogo de boa parte das startups nos próximos meses: escalar até lucrar. “Existe um custo alto para manter nossa infraestrutura, desde acordos comerciais e centros de dados até pessoas. O dinheiro serve para manter nossa operação e continuar escalando até sermos unitariamente eficientes”, finaliza Storf.