Paralisação de campeonatos de futebol por todo o planeta, interrupção da NBA, adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio. O esporte mundial também está sofrendo com a pandemia de coronavírus. E o principal efeito será nos cofres. Segundo estudo divulgado pela CNN Brasil Business, e realizado pela consultoria Sports Value, o prejuízo do esporte em 2020 pode chegar aos US$ 15 bilhões, sem contar os efeitos negativos da não realização das Olimpíadas.

A conta feita pela consultoria especializada em marketing esportivo considerou valores que já ficaram para trás, independentemente da realização ou não dos eventos em datas futuras. Segundo a Sports Value, entram na soma tanto as vendas de ingressos de jogos que não serão mais realizados, quanto direitos de televisão, diminuição da comercialização de produtos oficiais das ligas e dos clubes envolvidos, além da redução dos patrocínios.

As perspectivas para a retomada das competições pelo mundo não são nada animadoras. Como não há uma previsão clara de quando a pandemia irá passar, não há como se programar ou prever nada ao certo para os próximos dias ou semanas. Dirigentes, atletas, federações, enfim, todos discutem uma melhor saída para a crise e como se amenizar a crise financeira, que assola a todos.

Futebol Brasileiro e Sul-Americano

No caso do futebol brasileiro, a CBF ainda não divulgou nada oficialmente. Nos bastidores, dirigentes falam em uma possibilidade de se retomar os campeonatos a partir da segunda quinzena de julho, dependendo da evolução do Covid-19 pelo país. Cartolas e treinadores estão sempre discutindo as medidas a serem tomadas, por videoconferências.

Alguns chegaram a levantar a possibilidade de se retomar as competições, nacionais e estaduais, com portões fechados, mas a ideia não saiu do papel e, por enquanto, tudo segue parado. Os principais campeonatos estaduais foram interrompidos em meados de março, com alguns outros sendo disputados com portões fechados. Mais à frente, todas as federações decidiram seguir a CBF e suspenderam, completamente, seus torneios.

Os dirigentes trabalham com algumas possibilidades:

  1. As autoridades de Saúde do país trabalham cientificamente com as informações oficiais de que o pico maior do coronavírus se dará no fim do mês de abril.
  2. Maio seria o mês disseminação do vírus com alguma lentidão.
  3. O problema poderá estar resolvido no início da segunda quinzena de junho.
  4. A volta ao trabalho se daria até a primeira quinzena de julho para uma pré-temporada de no máximo 15 dias.
  5. O Futebol, segundo previsão que a CBF não confirma oficialmente, seria em fins de julho e principio de agosto.

Se a previsão se aproximar ao que os dirigentes imaginam no momento, a CBF entrará com sua decisão sobre o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, deixando as federações para resolver seus estaduais. Durante todo este período a confederação se propõe a resolver ou ajudar algumas questões financeiras com os clubes e federações, além de trabalhar o calendário.

Nesta segunda (6), a CBF anunciou um aporte financeiro de cerca de R$ 19 milhões, para clubes das séries C e D do Campeonato Brasileiro, além de clubes das séries A1 e A2 do Brasileirão feminino. “140 clubes serão beneficiados a partir desta terça”.

“Vivemos um momento inédito, de crise mundial, cuja extensão e consequências ainda não podem ser calculadas. É necessário, portanto, agir com critério e responsabilidade. O nosso objetivo, com essas novas medidas, é fornecer um auxílio direto imediato. Mas, além disso, temos que seguir trabalhando para assegurar a retomada do futebol brasileiro no menor prazo possível, quando as atividades puderem ser normalizadas”, disse o presidente da CBF, Rogério Caboclo, ao site da entidade.

Fora do país, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) não tem qualquer perspectiva para retomar as competições em disputa: Libertadores e Copa Sul-Americana. O diretor de competições de clubes da entidade, o brasileiro Frederico Nantes, afirmou que a confederação não tem nenhuma estimativa de quando os torneios possam voltar a ser realizados.

Em palestra online realizada pela faculdade Ibmec, o dirigente ressaltou, no entanto, que a entidade tenta trabalhar com diferentes possibilidades, mas nenhuma concreta. “O que estamos fazendo: trabalhamos com diferentes cenários, começando em maio, junho, julho… Qual projeção que a gente faz? Nenhuma. Não dá para fazer projeção nenhuma neste momento”, declarou Nantes.

Futebol Europeu

Já pela Europa, tentando encontrar formas de terminar as competições europeias, a Uefa estipulou um prazo máximo para concluir a Liga dos Campeões: três de agosto. Caso a pandemia do coronavírus seja controlada no velho continente, partidas do mata-mata poderão ser disputadas em jogo único e nos mesmos dias dos campeonatos nacionais.

Em entrevista concedida à emissora alemã ‘ZDF’, Aleksander Ceferin, presidente da entidade, explicou sobre o assunto. “Podemos jogar com o sistema atual ou fazer uma partida com sorteio para jogar em casa, fora ou campo neutro. Mas agora é só teoria. Em 3 de agosto deve se estar encerrada a Champions League, é uma situação extraordinária. Podemos jogar nas mesmas datas dos campeonatos locais, na mesma hora, deveremos ser flexíveis”, afirmou o dirigente.

Apesar da ideia, ele confirma que a prioridade da Uefa está na saúde dos jogadores. As partidas só ocorrerão com liberação médica e responsabilidade dos governos nacionais. As principais ligas europeias, como os campeonatos inglês, francês, alemão, italiano e espanhol também não têm qualquer previsão de retorno.

A Copa América e a Eurocopa, que seriam disputadas este ano, já foram adiadas para 2021. A competição sul-americana será na Colômbia e na Argentina, e será realizada entre 11 de junho e 10 de julho de 2021, com os mesmos grupos e formato, já definidos anteriormente. Já a competição europeia será entre os dias 11 de junho e 11 de julho do ano que vem.

Olimpíadas adiadas

O Comitê Olímpico Internacional (COI) confirmou, oficialmente, que os Jogos Olímpicos de Tóquio serão realizados entre os dias 23 de julho e 8 de agosto de 2021. O adiamento veio após muita resistência do governo japonês e do COI, mas a pressão de atletas, dirigentes e torcedores falou mais alto.

A Olimpíada foi adiada na semana passada devido à pandemia de coronavírus. Inicialmente, a cerimônia estava marcada para o dia 24 de julho deste ano. Os Jogos Paralímpicos de Tóquio também têm nova data confirmada: de 24 de agosto de 2021 a 5 de setembro de 2021.

Vôlei

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) deu rumos diferentes às Superligas masculina e feminina. Enquanto a competição masculina foi suspensa, com nova análise sendo feita sobre seu futuro,em meados deste mês, a competição feminina foi encerrada, sem ter um campeão declarado. Os clubes tomaram a decisão,, por videoconferência. A CBV queria o encerramento de ambas, mas como a questão foi colocada em votação, os clubes do campeonato para homens decidiram rever a questão com um mês de prazo.

Basquete

O comissário da NBA, Adam Silver, declarou nesta segunda-feira que as próximas semanas serão de incerteza envolvendo a temporada 2019/2020 da NBA, interrompida em função do surto do coronavírus, revelando não esperar que a liga tenha condições de tomar qualquer decisão até pelo menos maio.

Silver falou através da conta da NBA no Twitter. Ele abordou muitos tópicos, incluindo como a liga está avaliando os inúmeros cenários para um retorno, mas em todos os casos a incerteza em função da pandemia de coronavírus torna impossível uma decisão.

Já no Brasil, a Liga Nacional de Basquete (LNB) decidiu no último dia 26 de março, após uma reunião entre o Conselho da entidade, representantes dos 16 clubes participantes e da Associação de Atletas Profissionais de Basquete (AAPB), em São Paulo, antecipar o fim da fase de classificação do NBB, devido à pandemia do coronavírus.

Com o campeonato paralisado desde o dia 15 de março, após o jogo entre Unifacisa e São Paulo, a tabela ainda previa a realização de mais 33 jogos até o encerramento do segundo turno. Em nota oficial, a LNB informou que a temporada 2019/2020 terá continuidade a partir dos playoffs, mas ainda sem uma data para o reinício das partidas.

Fórmula 1

A temporada de 2020 da Fórmula 1 também foi totalmente afetada pela pandemia de coronavírus, reconheceu a organização da principal categoria do automobilismo. Horas depois de anunciar o adiamento do Grande Prêmio do Azerbaijão, marcado inicialmente para 7 de junho, a entidade admitiu que o ano terá de 15 a 18 corridas, sendo que o calendário original previa 22.

Oito corridas já foram afetadas pela Covid-19: os GPs da Austrália e Mônaco foram cancelados, enquanto os de Barein, Vietnã, China, Holanda, Espanha e Azerbaijão estão adiados, sem datas definidas. A entidade ainda não definiu quando a competição, de fato, iniciará.

NFL

Segundo a apuração de redes como NBC, Bloomberg e ESPN, há a expectativa para que as principais ligas norte-americanas possam ser disputadas a partir de agosto, nos Estados Unidos, embora nenhum prazo tenha sido apresentado no momento.

Os comissários-chefe das quatro grandes ligas esportivas Adam Silver (NBA), Roger Goodell (NFL), Rob Manfred (MLB) e Gary Bettman (NHL) estiveram entre os participantes da reunião, ocorrida no último fim de semana, que também contou com representantes da WNBA, além de dirigentes do futebol, golfe, automobilismo e de lutas profissionais como o UFC e a WWE. Não havia representantes do tênis ou dos esportes universitários.

Após o encontro com dirigentes, o presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu jornalistas na Casa Branca e foi perguntado sobre a possibilidade de retomar a rotina de eventos esportivos em agosto, para que a temporada da NFL (liga profissional de futebol americano) não seja afetada.

“Seria ótimo se pudéssemos”, disse o presidente norte-americano. “Não posso dar uma data, mas acho que isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde. Queremos as pessoas de volta às arenas. Assim que estivermos prontos, obviamente”, reforçou Trump.

Tênis

Nada de aces, winners e ralis nos próximos meses. A pandemia do COVID-19, o novo coronavírus, estabelece o maior empecilho para a realização do circuito internacional de tênis desde a Segunda Guerra Mundial. Anunciado na última quarta (1º), o cancelamento de Wimbledon impõe um desafio que engloba tenistas não somente do top 100, faixa de ranking dos classificados para Grand Slams.

A não realização do torneio britânico pela primeira vez em 75 anos estendeu a paralisação do circuito. O prazo da suspensão iniciada em 13 de março foi ampliado de 8 de junho para 13 de julho, totalizando quatro meses de interrupção.

Na contramão de Wimbledon, Roland Garros projeta um prejuízo de 260 milhões de euros (R$ 1,5 bi) caso o torneio não seja realizado em 2020. A decisão unilateral dos franceses de programar a edição deste ano, originalmente prevista para maio, entre os dias 20 de setembro e 4 de outubro, revoltou a grande maioria dos tenistas. A data de início da competição está agendada para apenas uma semana após a final do US Open, que segue marcado.

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*Os comentários não representam a opinião do portal ou de seu editores! Ao publicar você está concordando com a Política de Privacidade.

*