É com imenso prazer que o Unum anuncia a partir desta publicação, uma nova série de postagens. Trata-se de histórias relacionadas ao mercado financeiro. E para inaugurar a mais nova seção do nosso site, escolhemos contar como surgiu o primeiro banco da história. Acompanhe com a gente.

Contas a pagar, empréstimos a se fazer, transações a concluir. Enfim, ninguém vive, hoje, sem a presença de um banco em sua vida, não é verdade? Você já parou para pensar sobre a origem dos bancos? Quando eles surgiram no mundo? E no Brasil, qual o primeiro banco a “pintar” por aqui?

Ficou curioso? Siga conosco! A seguir, vamos te dar um histórico geral do surgimento dos bancos e de suas principais funções.

O que significa a palavra banco

Banco vem do germânico banki, através do latim vulgar, é uma instituição financeira intermediária entre agentes superavitários e agentes deficitários. Exercem, além de outras funções, a de captar os recursos dos superavitários e emprestá-los a juros aos deficitários, gerando a margem de ganho denominada de spread bancário. Todo banco, público ou privado, apresenta estas características.

Os bancos têm, também, por funções, depositar capital em formas de poupança, financiar automóveis e casas, trocar moedas internacionais, realizar pagamentos, entre outras atribuições.

O surgimento das operações bancárias foi simultâneo à criação da moeda, na medida em que o surgimento desta logo criou a necessidade de instituições que a guardassem e a emprestassem. O nome “banco”, porém, foi criado pelos banqueiros judeus de Florença, na época do Renascimento, designando a mesa onde eram trocadas as moedas.

Quando surgiu o primeiro banco?

O primeiro banco, tal como conhecemos hoje, surgiu apenas no Renascimento, em Gênova, na Itália. O Banco de San Giorgio foi fundado em 1406. Este banco nasceu justamente em Gênova, um importante entreposto comercial, onde navegantes paravam para trocar mercadorias dos mais distantes e remotos destinos do planeta.

E onde tem comércio, tem dinheiro! Mas não foi só esta a única razão para que ali surgisse um banco! Gênova esteve em guerras com a quase vizinha Veneza. Então para enfrentar estes embates, a coroa, bem como outras pessoas importantes injetaram capital para a criação deste banco, para que, por sua vez, financiasse estas brigas.

Cristovão Colombo, genovês que descobriu a América também tinha conta lá, mas foi quando Napoleão invadiu a região e reprimiu a ação de bancos independentes que chegou ao fim o Banco di San Giorgio, que fechou suas portas em 1805.

Por outro lado, quem inventou as operações bancárias foram os cavaleiros templários, na Inglaterra.

Como a ordem dos cavaleiros templários inventou o banco?

Na Fleet Street, uma das mais movimentadas ruas do centro de Londres, a dez minutos à pé da Trafalgar Square, existe um arco de pedra pelo qual muita gente pode passar e viajar no tempo. Um pátio interno tranquilo leva a uma capela estranha, circular, e a uma estátua de dois cavaleiros em cima de um único cavalo. A capela é a famosa Temple Church, construída pela Ordem dos Cavaleiros Templários no ano de 1185, quando ficou conhecida como a “casa londrina da Ordem dos Cavaleiros Templários”. A Temple Church não tem apenas uma importância arquitetônica, histórica e religiosa. Ela também foi o primeiro banco de Londres.

Os cavaleiros templários eram monges guerreiros. Era uma ordem religiosa monástica, com uma hierarquia inspirada na teologia e uma missão declarada – além de um código de ética -, mas também um exército armado e dedicado à “guerra santa”. Dessa forma, como eles chegaram, então, ao negócio dos bancos?

Os templários dedicaram-se inteiramente à defesa de peregrinos cristãos a caminho de Jerusalém. A cidade havia sido capturada na primeira Cruzada em 1099, quando ondas de peregrinos começaram a chegar, viajando milhares de quilômetros pela Europa.

Esses peregrinos precisavam, de alguma forma, bancar meses de comida, transporte e acomodação para todos eles, sem precisarem carregar grandes somas de dinheiro consigo, já que isso os tornaria alvo fácil para ladrões.

Afortunadamente, os Templários tinham uma solução. Um peregrino poderia deixar seu dinheiro na Temple Church em Londres, depois pegá-lo de volta em Jerusalém. Em vez de carregar o dinheiro até lá, ele só precisaria levar uma carta com o crédito.

Os Cavaleiros Templários eram a atual Western Union (conhecida empresa que faz transferência de dinheiro entre países) no tempo das Cruzadas. Nós não sabemos direito como os Templários faziam esse sistema funcionar, nem como se protegiam contra fraudes. Haveria um código secreto para verificar o documento e a identidade do viajante?

Banco privado

Os Templários não foram a primeira organização no mundo a oferecer esse tipo de serviço. Diversos outros países haviam feito isso antes, como a dinastia Tang na China, que usava o “feiquan” – “dinheiro voador”, um documento de duas vias que permitia a comerciantes depositarem seus lucros em um escritório regional e depois pegarem o dinheiro de novo na capital.

Esse sistema, no entanto, era operado pelo governo. O sistema bancário oferecido pelos Templários funcionava muito mais como um banco privado aliado a reis e príncipes ao redor da Europa e gerenciado por uma parceria de monges guerreiros que tinham feito voto de pobreza.

Os Cavaleiros Templários fizeram muito mais do que apenas transferir dinheiro por longas distâncias. Em seu livro “Money Changes Everything” (“Dinheiro muda tudo”, em tradução livre), William Goetzmann diz que eles ofereciam uma série de serviços financeiros reconhecidamente avançados para a época.

Se você quisesse comprar, por exemplo, uma ilha na costa oeste da França – como o rei Henrique 3º da Inglaterra fez nos anos 1200 com a ilha de Oleron, a noroeste de Bordeaux -, os Templários poderiam ajudar a fechar o negócio. Henrique 3º pagou 200 libras por ano por cinco anos para os Templários em Londres, e quando seus homens tomaram posse da ilha, os Templários zelaram para que o vendedor tivesse recebido todo o dinheiro.

Ainda nos anos 1200, as Jóias da Coroa foram mantidas no Templo como uma forma de segurança para um empréstimo – com os Templários atuando como uma espécie de casa de penhor.

Os Cavaleiros Templários não foram o único banco da Europa para sempre, claro. A Ordem perdeu sua razão de existir depois que os cristãos europeus perderam completamente o controle de Jerusalém em 1244, e os Templários foram dissolvidos por completo em 1312.

Então quem assumiu essa função bancária que eles deixaram? Se você tivesse presenciado a grande feira de Lyon, na França, em 1555, poderia conhecer a resposta. Ela foi o maior mercado para comércio internacional de toda a Europa.

Troca sofisticada

Nessa edição da feira, começaram a circular rumores sobre a presença de um comerciante italiano que estava fazendo fortuna no local. Ele não estava comprando, nem vendendo nada. Tudo o que ele tinha à frente era uma mesa e um tinteiro. Dia após dia, ele recebia comerciantes e assinava pedaços de papel – e, de certa forma, ficava rico. Os moradores locais olhavam para ele com suspeita. Mas para uma nova elite internacional das grandes casas de mercadoria da Europa, suas atividades eram perfeitamente legítimas.

Ele estava comprando e vendendo dívidas – e, ao fazer isso, estava gerando um considerável valor econômico. Um comerciante de Lyon que quisesse comprar, digamos, lã de Florença, poderia ir a esse banqueiro e pedir um tipo de empréstimo chamado de “conta de troca”. Era um documento de crédito, que não especificava a moeda de transação.

Seu valor era expressado em “ecu de marc”, uma moeda privada usada para essa rede internacional de banqueiros. E se os comerciantes de Lyon ou seus agentes viajassem a Florença, a “conta de troca” do banqueiro de Lyon seria aceita pelos banqueiros de Florença, que trocariam sem problemas o documento pela moeda local.

Por essa rede de banqueiros, um comerciante local podia não só trocar moedas, mas também “traduzir” seu valor de compra em Lyon para valor de compra em Florença, uma cidade onde ninguém havia ouvido falar sobre ele. Era um serviço valioso, que compensava demais!

De meses em meses, agentes dessa rede de banqueiros se encontravam em grandes feiras como a de Lyon, conferiam suas anotações e acertavam as contas entre si. Nosso sistema financeiro de hoje tem muito a ver com esse modelo. Um australiano com um cartão de crédito pode fazer compras em um supermercado de Lyon. O supermercado checa com um banco francês, que fala com um banco australiano, que aprova o pagamento ao comprovar que ele tem o dinheiro em conta.

Qual o primeiro banco a funcionar no Brasil?

O Banco do Brasil foi o Primeiro banco a funcionar no país. A instituição financeira foi criada em 12 de outubro de 1808, através de um alvará do príncipe regente D. João de Bragança. Inicialmente foi aberto ao público o capital de 1,2 mil ações de um conto de Réis cada, destinado a grandes negociantes ou pessoas abastadas.

Em janeiro de 1809, D. João buscou acionistas para o Banco do Brasil, através do apoio de governadores das Capitanias. Em 11 de dezembro do mesmo ano, a instituição iniciou suas atividades, no Rio de Janeiro.

Apesar do esforço na busca por acionistas, até o final de 1812, apenas 126 ações haviam sido subscritas. Somente em 1817 foi encerrada a oferta pública de ações do Banco do Brasil, atingindo o capital de 1,2 mil contos de réis.

Em 1819, o banco financiou integralmente a construção de uma sede para a Bolsa do Rio de Janeiro. No ano de 1821, a Família Real retornou a Portugal, levando os recursos depositados no banco, já em crise devido à vinculação com os interesses da Coroa.

Com a independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, o apoio do Banco do Brasil foi decisivo para que as autoridades custeassem escolas e hospitais e equipassem os navios que asseguraram a independência.

Substituição da moeda

Dentre outras funções históricas, o banco desempenhou um papel de destaque em 1994, na substituição do Cruzeiro pelo Real. A instituição ficou responsável pela distribuição da nova moeda em todo o país, por meio das 31 mil agências bancárias espalhadas pelo Brasil.

ISO 9002: O Banco do Brasil foi o primeiro banco brasileiro a receber, em 1998, o ISO 9002 (garantia de qualidade), em análise de crédito.

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*Os comentários não representam a opinião do portal ou de seu editores! Ao publicar você está concordando com a Política de Privacidade.

*