A Petrobras reduz em 15% o preço médio da gasolina em suas refinarias a partir desta quarta (25). O valor do diesel não foi alterado, informou a companhia nesta terça (24). A redução ocorre em meio a um tombo dos preços de petróleo e derivados por impactos da expansão do coronavírus e de uma guerra de preços entre grandes produtores globais da commodity.

Com o novo corte, a queda acumulada de gasolina da Petrobras, responsável por quase 100% da capacidade de refino do Brasil, soma cerca de 40% em 2020, de acordo com informações da petroleira e cálculos da Reuters. Na semana passada, a estatal já havia reduzido o valor da gasolina em 12%.
O preço do diesel, por sua vez, acumula um recuo de aproximadamente 30% apenas neste ano, até o momento.

Entenda a ‘guerra no preço do barril de petróleo’

Com a queda do preço do petróleo, as empresas do setor já avaliam reduzir projetos. De acordo com a consultoria Wood Mackenzie, elas irão cortar em cerca de 30% os investimentos em exploração e produção da commodity neste ano, estimados em US$ 75 bilhões.

Este cenário de perdas no preço do petróleo é reflexo da pandemia de coronavírus e seus efeitos na economia. A China, segunda maior potência do mundo e epicentro dos casos de Covid-19, viu sua atividade industrial ser encolhida drasticamente nas últimas semanas por conta de paralisações e medidas de contenção para impedir o avanço da doença.

Isso fez com que a demanda pela commodity diminuísse. Mesmo com menos compradores, os países membros e associados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não chegaram a um acordo para reduzir a produção do produto. Pelo contrário: Arábia Saudita e Rússia iniciaram uma guerra de preços, ampliando a produção e provocando forte instabilidade nos mercados globais.

Primeiro, a Rússia disse que não aceitaria reduzir a produção. O alvo de Moscou era os EUA e os produtores americanos de shale gas, ou gás não convencional. A Arábia Saudita retrucou e resolveu determinar aumento de 25% em sua produção de petróleo. A medida derrubou ainda mais o preço da commodity.

Brent já caiu cerca de 60% este ano

Os preços do petróleo Brent já caíram cerca de 60% neste ano, sendo negociados, nesta terça (24), a cerca de US$ 27 o barril, com uma queda da demanda diante da pandemia de coronavírus e o aumento da oferta, depois que a Rússia e a Arábia Saudita não chegaram a um acordo para reduzir a produção.

O chefe da área de óleo e gás da consultoria INTL FCStone, Thadeu Silva, afirmou à Reuters que a queda da gasolina no mercado internacional foi ainda mais brusca que a repassada pela Petrobras aos clientes, em um movimento que parece ser de cautela, uma vez que a companhia não tem como prever como o mercado se comportará nos próximos dias.

“Tem ainda uma quantia boa represada de reajuste que dá para fazer, eu acho que a Petrobras vem adotando uma estratégia de suavizar o movimento, porque ela não sabe se o preço ‘rebota’ daqui a dois dias, o mercado está muito volátil”.

“Também acho que se baixar inteiro, ela começa a trazer problemas sérios para a cadeia. Quem está estocado com o produto, vai ter problemas sérios se reduzir tão bruscamente os preços, o prejuízo pode ser muito grande”.

Estatal x Privatização

A petroleira estatal tem reforçado sua política de preços, que segue o princípio da paridade de importação, que leva em conta preços no mercado internacional mais os custos de importadores, como transporte e taxas portuárias, com impacto também do câmbio.

O repasse de ajustes dos combustíveis nas refinarias para o consumidor final nos postos não é imediato e depende de diversos fatores, como consumo de estoques, impostos, margens de distribuição e revenda e mistura de biocombustíveis.

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