Uma pesquisa realizada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), constatou que o percentual de famílias que em fevereiro de 2020 relataram ter dívidas, atingiu 65,1%.
Este número representa queda na comparação com os 65,3% registrados em janeiro, e os 65,6% de dezembro de 2019.
De acordo com os dados levantados, a diminuição do número de famílias inadimplentes pode significar um aquecimento na economia brasileira e tais dados estão na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Tendência
O presidente da CNC José Roberto Tadros, concorda com a perspectiva do aquecimento do mercado para consumidores. Segundo ele,
“O endividamento em alta está associado a condições mais favoráveis no mercado de crédito ao consumidor, impulsionado por fatores como a melhora recente do mercado de trabalho e a redução significativa das taxas de juros, o que permite a queda do custo do crédito”, observou.
Além desses fatores, pode-se acrescentar o saque do FGTS no fim do ano passado, e o 13º, onde grande parte dos endividados usaram esses recursos para quitar ou renegociar dívidas.
De acordo com a pesquisa, as reduções mais significativas do número de famílias endividadas foram aquelas que ganham até dez salários mínimos.
Nesse grupo específico, o percentual de endividamento recuou para 66% em fevereiro de 2020, enquanto em janeiro era de 66,4%. Já nas famílias com renda maior do que 10 salários mínimos, o patamar teve alta de 60,9% para 61,1% desde janeiro.
Inadimplência
A economista responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, observou que, embora o endividamento seja menor, a inadimplência dos brasileiros se acentuou em fevereiro de 2020, atingindo o percentual de 24,1%, enquanto no mês anterior havia se instalado em 23,8%.
No entanto, este pequeno aumento não deve ser visto, necessariamente, como negativo, pois era de se esperar que a inadimplência aumentasse um pouco com os compromissos financeiros de início de ano, como “impostos e taxas, matrícula e material escolar e reajustes de tarifas e serviços”. Com estes gastos, muitas famílias podem encontrar dificuldades para pagar as contas em dia nesse período.
Mesmo com tantas despesas sazonais, mais uma vez o cartão de crédito foi apontado como principal tipo de dívida contraída no último mês, com 78,6% das famílias endividadas. Em seguida, os maiores compromissos se deram com carnês (15,9%) e financiamento de veículos (10,7%).
“Para famílias com renda superior a dez salários mínimos, o cartão de crédito se mantém em primeira posição (76,9%), seguido por financiamento de veículos (19,1%) e financiamento de casa (16,9%)”, destacou a CNC.