Pouco mais de uma semana após afirmar que havia uma dificuldade de oferecer uma solução para ajudar todos os clientes, o Nubank mudou de postura e anunciou uma redução de 80% na cobrança de juros na fatura.

Na última semana, a empresa enviou uma nota à imprensa com a explicação das regras do alívio: “clientes poderão parcelar sua fatura em até 12 vezes, com juros de 1,9% ao mês, direto no app. As novas condições valem para o parcelamento voluntário, aquele em que o cliente não possui valores no rotativo de faturas anteriores, e para faturas fechadas a partir de 1º de abril”, detalha a fintech.

Os clientes ainda serão beneficiados com a ampliação do prazo para pagamentos de empréstimos pessoais pelos canais de atendimento do aplicativo. Serão dados até 60 dias para o pagamento da próxima parcela (os juros dessa modalidade serão mantidos), mas sem cobrança de multa e IOF. “Queremos atravessar esse momento sem precedentes ao lado dos clientes com ainda mais empatia e solidariedade”, afirma David Vélez, CEO e fundador do Nubank, no comunicado.

Mudança de postura veio após pressão popular

Desde março, houve uma pressão crescente em cima do Nubank, nas redes sociais, para que o banco pudesse, de alguma forma, ajudar seus correntistas. Com muitos clientes autônomos e sem fonte de renda, por causa da crise gerada pelo novo coronavírus, a empresa se viu sob uma chuva de centenas de críticas. A instituição financeira agiu, também, após medidas tomadas por concorrentes do setor.

o Banco Inter, um dos seus principais oponentes, anunciou no final de março que daria, para quem estivesse em dia, um prazo de até 60 dias para o pagamento de faturas do cartão de crédito com um limite de até R$ 4 mil, sem cobrança de juros.

A elaboração de uma resposta com uma agenda positiva demorou tanto que as redes sociais da empresa travaram a comunicação e ficaram dias sem novas postagens. O cenário começou a mudar quando a fintech anunciou a criação de um fundo de R$ 20 milhões em diversos serviços como Rappi e iFood para os clientes.

Alguns dias depois, no entanto, a agência de avaliação de risco de crédito S&P alterou a perspectiva do rating de longo prazo do Nubank de estável para negativa.

85 novas contratações

Ao longo da última semana, o Nubank anunciou outras novidades. A primeira é que contratou mais 85 funcionários. Desde que implantou o home office, em 12 de março, a fintech não fez demissões em massa, desde o início da crise do novo coronavírus.

Outra iniciativa legal do banco foi a de enviar para a casa dos funcionários 500 cadeiras ergonômicas para ajudar no trabalho de home office. Conforme a empresa, outras mil serão enviadas ao longo das próximas semanas.

Após Nubank, agências de risco rebaixam perspectivas dos bancos Inter e Original

Os bancos digitais brasileiros também têm sofrido os efeitos da pandemia de coronavírus sobre o cenário econômico. E suas perspectivas para o futuro vêm sendo revisadas para baixo, por agências de classificação de risco. Foi o que aconteceu na última quarta (8) com os bancos Inter, segundo a Standard & Poor (S&P), e Original, de acordo com a Fitch.

O Banco Inter, que anunciou na última terça (7) ter alcançado a marca de cinco milhões de correntistas, teve, no dia seguinte, sua perspectiva alterada de “positiva” para “estável” pela S&P. Além do cenário econômico desfavorável no Brasil, a S&P cita justamente a expansão da base de clientes como um fator que deixa a instituição mais vulnerável às oscilações do mercado.

Os 5 milhões de clientes obtidos ao final do 1º trimestre representam um crescimento de 155% na comparação com o mesmo período em 2019. “O recente crescimento exponencial de sua carteira de cartões de crédito expõe o banco a uma maior sensibilidade à deterioração econômica”, diz a S&P. No entanto, a agência vê no banco condições para converter essa base de correntistas em uma diversificação de receitas e resultados operacionais mais estáveis.

Já o Original, avaliado pela Fitch, sofreu um “downgrade” de B+” para “B”. Segundo a agência, trata-se de um reflexo das dificuldades do banco em alcançar um ponto de equilíbrio (“breakeven”) sustentável. “O Original tem divulgado resultados operacionais negativos por quatro anos consecutivos, que continuam a ser afetados pelos desafios e altos custos ligados à implementação da iniciativa digital”, apontou a agência. Segundo dados divulgados pelo próprio Original, o banco digital conta atualmente com três milhões de correntistas.

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