Uma forma de perder o controle financeiro é usar o cartão de crédito sem se planejar. Essa é uma das piores maneiras de se endividar, pois as altas taxas de juros cobradas fazem o montante crescer rapidamente. Em janeiro, segundo o Banco Central, a taxa do rotativo do cartão de crédito estava em 316,8% ao ano.

Para evitar um estrago financeiro ainda maior em meio a uma crise, é importante que você esteja atento às formas de renegociar esse tipo de débito com o banco. Em tempos de incertezas econômicas com a pandemia do novo coronavírus, o problema pode atingir muitos brasileiros que perderam empregos ou estão tendo salários reduzidos.

Você quer saber como se livrar das dívidas do cartão de crédito? Como deve agir daqui para frente? Siga conosco! A seguir, a gente te explica um passo a passo para você sair do aperto e não mais ficar “apertado” com as taxas abusivas do cartão. Acompanhe!

O especialista Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educação Financeira (ABEFIN), repassou dicas de como negociar suas dívidas do cartão de crédito.

Primeira medida: confira sua real situação

Para Reinaldo Domingos, o primeiro passo a ser seguido é olhar sua situação financeira para os próximos seis meses. Se for a mesma do período pré-crise e as finanças estiverem equilibradas, nada muda e você pode seguir pagando o cartão normalmente. Mas se a maré virou e orçamento estiver comprometido pelos próximos 180 dias, aí, sim, o aconselho é parar e renegociar sua dívida.

“A orientação não é dar calote no banco, e sim solicitar prorrogação do pagamento da conta até a sustentabilidade financeira voltar. Caso não faça isso, a pessoa vai quebrar”, afirma o presidente da ABEFIN.

Segunda medida: relate sua situação ao banco

Na sequência, você deve entrar em contato com o banco, explicar que sua situação mudou e que deseja negociar a dívida. Domingos diz que o ideal é pedir carência de 180 dias e o pagamento em 12 vezes sem juros ou que acompanhe a Selic (atualmente em 3,75% ao ano). Mesmo assim, se a instituição financeira não aceitar sua proposta, o endividado pode continuar negociando até chegar a um acordo com o banco.

Terceira medida: não pague a dívida e busque empresa de recuperação de crédito

Em último caso, se o banco não colocar boas condições, o conselho é não pagar a dívida. Reinaldo Domingos explica que, se o novo valor também não cabe no bolso, você certamente vai se complicar outra vez lá na frente. O presidente da ABEFIN diz que a melhor saída nesse caso é buscar uma empresa de recuperação de crédito para conseguir taxas mais baixas. “Não se preocupe se o banco negativar seu nome nesse momento. Depois você vai negociar para ter condições muito melhores”, diz o especialista.

No Feirão Limpa Nome do Serasa, por exemplo, que é realizado anualmente, os consumidores que estão endividados conseguem negociar e quitar suas dívidas com descontos que chegam até a 90%, segundo a instituição. E a negociação é feita diretamente com a empresa credora.

O último feirão ocorreu entre os dias 11 e 31 de março e foi 100% online por conta da pandemia do novo coronavírus. Ao todo, 16 instituições credoras participaram, negociando as dívidas diretamente com os clientes. Após o pagamento do novo valor acordado, a empresa credora retira os nomes da lista de inadimplentes em até cinco dias úteis.

Como adiar o pagamento da fatura do cartão de crédito?

Em meio à crise do novo coronavírus, o governo vem anunciando algumas novidades em crédito para pessoas físicas, na tentativa de combater os efeitos econômicos da pandemia. Entretanto, nenhuma das soluções propostas até agora foi feita especificamente para a dívida do cartão de crédito. Esta é, no entanto, uma das maiores vilãs do orçamento do brasileiro: 77,6% das famílias endividadas possuem débitos dessa categoria, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgados na última terça (14).

A quantidade de famílias endividadas no Brasil aumentou em abril, atingindo índice recorde (66,6%) contra 66,2% em março. Desse total, 25,3% vão atrasar contas e 10,2% não terão como pagar as contas de abril.

Dessa forma, o brasileiro deve procurar soluções para evitar se prejudicar com dívidas em um momento em que vários setores estão parados e que a atividade econômica caminha a passos lentos. Assim, adiar a fatura de cartão de crédito pode ser necessário para aliviar o orçamento. Assim sendo, quais as opções disponíveis hoje no mercado? Uma planejadora financeira nos dá dicas de como fazer neste momento de crise. Além disso, os principais bancos do país detalham as principais taxas cobradas neste tipo de modalidade.

Especialmente neste período, segundo dados da pesquisa da CNC, têm ganhado espaço na composição do endividamento as dívidas em crédito consignado, carnês e crédito pessoal, provavelmente relacionados ao momento, já que muitas pessoas estão enfrentando dificuldades para fazer os pagamentos mensais. Segundo Letícia Camargo, planejadora financeira CFP, o cartão de crédito é um dos maiores vilões justamente devido ao juros altos do rotativo.

“Com a regra implementada em 2017, hoje o cliente não pode pagar o mínimo indefinidamente para não acarretar um super endividamento. Só é permitido pagar o mínimo no primeiro mês e depois tem que parcelar. Mas os juros do rotativo passam dos 320% ao ano, é um absurdo. É preciso fugir disso”, desabafa a especialista.

Dentro das possibilidades disponíveis hoje no mercado, uma pessoa endividada, que não consiga pagar a fatura, deve fazer de tudo para evitar o rotativo, que possui o maior juro do mercado. “Refinancie a dívida, até o cheque especial é menos pior [que o rotativo], já que o juro está limitado a 8% ao mês (a.m)”, destaca Letícia Camargo.

A verdade é que não há muitas alternativas para esse adiamento, segundo a planejadora. Por isso, o consumidor deve fazer comparações entre as opções de refinanciamento do valor e buscar uma solução que ofereça a menor taxa de juro possível.

“Cheque especial, parcelamento da fatura, empréstimo pessoal, e até consignado são opções de crédito que possuem juros mais baratos do que o rotativo. No mundo ideal, nesse momento em que já passamos por cerca de um mês de coronavírus, as pessoas devem se antecipar e planejar: se entenderem que precisarão adiar alguma conta para poder terminar o mês, já negocia com o banco alguma opção de crédito, sempre comparando as taxas”, recomenda a planejadora financeira.

Dessa forma, Camargo orienta o consumidor a fazer um balanço das contas e ver quanto tem e terá de receita durante esse período conturbado. “Com uma ideia de como ficará a situação, fica mais fácil se organizar. Despesas podem ser mudadas, cortando algumas coisas e avaliando as opções em mãos fica mais fácil atravessar a crise sem se afundar em dívidas”.

Sobre a comparação de taxas, a planejadora sugere que o consumidor avalie todas as opções disponíveis e não somente a do banco em que é correntista. “Filtre com cuidado e atenção as opções das instituições financeiras para conseguir o melhor custo-benefício dado o momento. O consignado geralmente oferece a menor taxa de juro, mas cada um precisa avaliar sua realidade”, afirma Letícia.

Segundo ela, o consumidor que já sabe que não conseguirá pagar na data certa pode postergar, tentando mudar a data de pagamento da fatura. “Cada banco e tipo de conta tem uma regra sobre as datas de fechamento, mas, na atual circunstância, alguns dias que a pessoa consiga adiar, do dia 15 para o dia 25 por exemplo, já ajuda. A crise já se mostrou imprevisível, qualquer tentativa é válida”, diz.

Outra parte dessa equação é o controle financeiro. “Claro que, além de rastrear a receita e organizar as despesas mensais, o consumidor precisa se ajustar à nova realidade: com o home office, a compra online está fácil e o cartão de crédito é o mais usado. Evite compras desnecessárias neste momento”, orienta.

O Banco Central (BC) divulga a média das taxas de juros de todas as alternativas, o que serve como uma primeira base de comparação. Vale lembrar que, para cheque especial, o BC considera também operações de adiantamento a depositantes, e as taxas correspondem ao custo efetivo médio das operações para os clientes, composto pelas taxas de juros efetivamente praticadas, acrescidas dos encargos fiscais e operacionais.

O que os bancos oferecem?

Algumas instituições financeiras se posicionaram sobre taxas e condições de pagamento aos consumidores. Confira na sequência.

O Santander afirmou que os clientes poderão parcelar em até 24 vezes, “o pagamento de suas faturas com data de vencimento a partir do dia 15 de abril, com 50% de desconto na taxa de juros e possibilidade de carência de até 60 dias até a primeira parcela”.

No entanto, não divulgou as taxas cobradas atualmente, e informou que será possível solicitar essa opção nos apps Way ou Santander, além do internet banking. Por fim, o banco também informou que oferece o crédito unificado: “o cliente pode juntar suas dívidas tanto de cartão de crédito quanto de outros financiamentos, como crédito pessoal e cheque especial, com condições e prazos mais atrativos”, também sem divulgar quais são as condições e prazos.

A Caixa Econômica Federal, por sua vez, explicou que, no fim de março, reduziu algumas de suas taxas de juros. Para o crédito pessoal, as taxas saíram de 2,29% a.m. para 2,17% a.m. No cheque especial, para clientes com salário na Caixa, de 4,95% a.m., caíram para 2,90% a.m. No cartão de crédito, a taxa do parcelamento de fatura do cartão, que é na média 7,7% a.m., agora parte de 2,90% a.m.

O banco afirmou que a taxa média do rotativo foi reduzida para a partir de 6,99% a.m. As condições especiais do cheque especial e cartão de crédito estão valendo até o fim de junho. Segundo o banco, o cliente pode ainda parcelar a sua fatura em até 36 meses, com juros reduzidos, ou pagar parte da fatura, deixando o saldo restante para o próximo mês, mas com cobrança de encargos.

Já o Banco do Brasil informou que sua taxa média para o parcelamento da fatura é de 7,08% a.m., enquanto a taxa média do empréstimo consignado é de 1,89% a.m. e do empréstimo pessoal é, em média, 3,37% a.m. Por fim, a taxa média do rotativo é de 10,03% a.m. Ao verificar a necessidade de seus clientes por prazos e parcelamentos, o BB começou a oferecer novas medidas.

“Os clientes poderão optar por migrarem seus saldos no rotativo para seus empréstimos pessoais (em até 60x) ou para o pagamento parcelado da fatura, linha do próprio cartão (em até 24x)”, disse. O banco também afirmou que identifica clientes que dão sinais de dificuldade de pagamento e oferece proativamente opções de financiamento.

Especialmente neste momento, o Itaú vai oferecer aos clientes Itaucard, Credicard e Hipercard carência de 60 dias para o pagamento da primeira parcela das faturas que não são pagas à vista (após a entrada paga na data de contratação do parcelamento). A medida é válida para novas solicitações de parcelamento, feitas a partir de sexta-feira (17).

Também há a possibilidade de dividir o total da fatura em até 24 vezes. A solicitação pelo parcelamento da fatura com a carência de 60 dias pode ser feita no site do banco, na central de atendimento e nos núcleos de atendimento instalados em unidades físicas dos varejistas parceiros (no caso de cartões cobranded).

Já pelo botão Atendimento Digital dos apps Itaucard, Credicard e Hipercard, o cliente pode, de maneira simples e prática, solicitar a renegociação da fatura, entre outras demandas. No caso de parcelamento de faturas, a taxa parte de 1,99% a.m., segundo o banco.

Justamente em função da crise, o Nubank agora permite que seus clientes parcelem a fatura em até 12 vezes, com juros de 1,9% ao mês, direto no app. As novas condições valem para o parcelamento voluntário, aquele em que o cliente não possui valores no rotativo de faturas anteriores, e para faturas fechadas a partir de 1º de abril.

Além do corte nos juros, o Nubank também ampliou o prazo para pagamento do empréstimo pessoal. Clientes que contraíram essa modalidade de crédito, com o pagamento em dia, podem acionar os canais de atendimento da fintech e renegociar seu empréstimo. A taxa de juros nesse caso parte de 0,95% a.m. O rotativo do banco pode chegar a 14% a.m.

1 Comentário

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  • Jefferson
    Eu não acredito na possibilidade da caixa fazer isso essas facilidade tem transferência que não permitido emposto e é lá está cobrando.