O dólar comercial fechou, nesta terça (2), em queda de 3,23%, vendido a R$ 5,21, atingindo o menor valor desde 14 de abril, quando fechou em R$ 5,191. Foi a maior queda diária desde 8 de junho de 2018, quando o recuo chegou a 5,59%. Na mínima da sessão, o dólar chegou a R$ 5,204.

Por sua vez, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em alta de 2,74%, a 91.046,38 pontos, alcançando o maior nível desde 10 de março, quando fechou em 92.214,47 pontos.

Um detalhe importante a ser ressaltado é que o valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto, já que se considera o custo do dólar turismo, que fechou em R$5,425 nesta terça (2), por exemplo.

Reabertura gradual da economia

A sessão desta terça (2) foi marcada pelo apetite por risco no exterior. A reabertura gradual das principais economias e a desaceleração da curva de contágio por covid-19 na Europa e nos Estados Unidos elevavam as esperanças de recuperação ante a crise atual.

Principal causa são os protestos raciais

Nos EUA, os investidores pareciam deixar de lado, momentaneamente, os protestos raciais, que ocorrem há uma semana, em resposta ao assassinato de George Floyd por um policial branco, que vêm acontecendo em diversas cidades norte-americanas.

“Mesmo com toda a inquietação social nos Estados Unidos, os investidores focam a atenção aos ciclos de reabertura e retomada da atividade econômica em diversas localidades e os possíveis efeitos no curto prazo, principalmente no verão do hemisfério norte”, escreveram analistas da Infinity Asset.

Ainda conforme a Infinity, a agitação política deve continuar no radar dos mercados no curto prazo, nos EUA e no Brasil. “Eis que novamente a política exerce poder sobre o mercado e, tanto aqui quanto nos EUA, deve ser o foco nas próximas semanas, devido ao imbróglio político local e à série de protestos que podem enfraquecer (o presidente dos EUA, Donald) Trump”, destaca o relatório.

Já na visão do estrategista Dan Kawa, da TAG Investimentos, os ativos de risco estão seguindo uma dinâmica bastante positiva nos últimos dias, a despeito do aumento de alguns riscos no cenário. “Além de uma liquidez global colossal, a expectativa de retorno ao normal, a normalização de casos de contágio ao redor do mundo e a esperança de uma vacina estão sendo vetores essenciais de suporte ao mercado”, pondera o estrategista.

Incertezas políticas do Brasil ainda gera receio

No cenário local, os investidores seguiram de olho no noticiário político e nos impactos da pandemia na atividade econômica. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Celso de Mello, arquivou, na noite da última segunda (1), o pedido feito por partidos políticos para que o celular do presidente Jair Bolsonaro fosse apreendido no âmbito do inquérito que investiga se ele tentou interferir politicamente na Polícia Federal.

Apesar disso, o ministro fez um alerta ao presidente de que descumprir ordens judiciais implica em crime de responsabilidade. As tensões recentes entre os poderes Executivo e Judiciário foram apontadas por analistas como fator de impulso para o dólar no ano, que, a despeito da forte queda de ontem, acumula alta de mais de 30% contra o real em 2020.

As incertezas políticas, somadas a um ambiente de juros baixos e crescimento fraco, prejudicam as perspectivas de investimento estrangeiro no Brasil. Ainda assim, a moeda norte-americana já teve perdas significativas desde que ficou a poucos centavos de bater a marca de R$ 6, em meados de maio.

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