Profissionais do mercado já alertam: o dólar tende a subir acima de R$ 4,50 e permanecer nesse patamar por um tempo.

Dentre os fatores que contribuem para esse acontecimento, destacam-se o alastramento do Coronavírus, a atuação discreta do Banco Central e os atuais embates entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso Brasileiro.

Como a alta do dólar em relação ao real é influenciada por reformas no país e crises externas, nenhuma dessas questões estão contribuindo para que ele se estabilize. Muito pelo contrário, os problemas nacionais e internacionais do Brasil multiplicam as dúvidas de investidores e, consequentemente, o preço do dólar tende a subir e ficar lá por um tempo.

O dólar vai continuar pressionado se o coronavírus seguir se alastrando sem controle porque isso aumenta as incertezas em todo o mundo, levando a uma maior procura por segurança no dólar, que se valoriza em relação a todas as moedas no mundo, não apenas em relação ao real. Mas para piorar a situação no Brasil, aqui temos a incerteza com relação às reformas. Tem toda a celeuma que quase todo o dia envolve o presidente”, disse o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira.

Dólar Acima de R$ 4,50 e o Banco Central

Roberto Motta, responsável pela mesa institucional de futuros da Genial Investimentos, acredita que na nova realidade brasileira de juros baixos, o dólar ainda não encontrou um ponto de equilíbrio.

“Por enquanto, o que posso dizer é que o mercado já interpretou que o dólar acima de R$ 4,30 não incomoda nem o Banco Central nem o ministro da Economia”, afirmou.

Com essa observação, Motta acredita que não serão frequentes as intervenções do Banco Central com a finalidade de conter os avanços do dólar, pelo contrário, para ele “O governo brasileiro se posiciona de maneira favorável ao cenário de juros baixos e câmbio alto”.

A possibilidade levantada pelos especialistas é de que, com pouca intervenção do BC, é estimulado o investimento local e estrangeiro na economia brasileira, enquanto favorece a exportação das vendas de produtos brasileiros no mundo.

Coronavírus e o Dólar

No início do ano, com o alarde da nova epidemia mundial, grandes empresas e investidores pelo mundo estão incertos sobre o ritmo da economia global, e tendem a buscar ativos considerados mais seguros, como a compra do dólar, títulos americanos e ouro, por exemplo.

Nesse quadro, quem já tem dólar, está aguardando seu crescimento para vender, e quem ainda não tem está procurando comprar pois sabe que ele vai valorizar ainda mais em breve.

O gerente de trade do Travelex Bank, Felipe Pellegrini, disse que o mercado deve testar se o dólar pode ficar de forma mais estável oscilando entre R$ 4,40 e 4,50. “Abaixo de R$ 4,40 só se tivermos muitas boas notícias”, afirmou o executivo da casa financeira especializada em câmbio para empresas e pessoas físicas.

“Mesmo que o dólar recue, não vejo mais a moeda americana voltando abaixo de R$ 4,00”, afirma a economista-chefe da gestora de recursos Azimut Brasil, Helena Veronesi.

Governo Brasileiro e o Dólar

No Brasil, o PIB (Produto Interno Bruto) continua oscilando e o embate do Presidente com os Congressistas tem impedido as reformas no país que foram prometidas na campanha, o que dificulta a confiança na política brasileira e, consequentemente, a entrada de dólares no país.

“A economia brasileira está impactada pelo receituário neoliberal em curso. O seu aprofundamento recente não permitiu, nem permitirá, a recuperação sustentada do nível de produção e emprego decente, muito menos a desconcentração da riqueza e renda nacional. O governo Bolsonaro e os porta-vozes do dinheiro sabem disso, porém, não admitem. Por isso a busca intensa de justificativas para a continuidade dos infortúnios acumulados pela gestão neoliberal da economia brasileira”, disse o economista e professor da Universidade Estadual de Campinas, Marcio Pochmann.

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