Pesquisa do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) mostra que 60% dos pequenos empresários tiveram a solicitação de empréstimo negada. Um dos principais motivos é a burocracia.

Uma alternativa viável, para pequenos negócios que funcionam na periferia conseguirem crédito, fora do sistema tradicional, é usar as fintechs, startups do setor financeiro.

A empresária Valéria Oliveira, por exemplo, conseguiu empréstimo em uma dessas fintechs. Há sete anos, ela tem registro de MEI e montou em casa um pequeno negócio de sublimação, para estampar canecas e outros objetos. Ela também dá cursos. O faturamento que girava em torno de R$ 3 mil por mês, caiu pela metade com a pandemia.

Fintech auxilia microempresários com taxa de juros abaixo do mercado

Para manter o negócio, Valéria tentou empréstimo em bancos tradicionais, mas não conseguiu. A fintech que Valéria procurou foi criada em 2017 por Fábio Takara e dois sócios. Com a pandemia, eles desenvolveram um fundo em parceria com uma escola de empreendedorismo da periferia e outras empresas. “O empreendedor consegue o crédito mais rápido e tem vantagem de ser tudo pela internet”, explica Takara.

O fundo já captou R$ 350 mil e a expectativa é chegar a R$ 500 mil. O crédito de até R$ 3 mil é para micro e pequenos negócios da periferia. Quarenta empreendedores de seis estados já receberam o dinheiro. A taxa de juros é de 1% ao mês, abaixo das praticadas pelo mercado.

O prazo de pagamento é de 20 meses e carência de quatro meses para pagar a primeira parcela. “Temos análise de risco diferente de bancos tradicionais. Não levamos em consideração se pessoa tem nome negativado, levamos em consideração o questionário do perfil do empreendedor e a partir dele a gente consegue entender hábitos de consumo, nível de conhecimento dele e o hábito familiar. Daí conseguimos identificar o bom e o mau pagador”, explica Takara.

Com R$ 1,3 mil que pegou emprestados da fintech, Valéria reestruturou o seu negócio. Dentre as medidas tomadas por ela, investiu em equipamentos para migrar para o digital e criou um site. “Foi um atendimento atencioso e rápido. Eles souberam tratar com o pequeno empreendedor, foi o que me salvou”, afirma Valéria. “Quando a gente vê o crédito chegando ao pequeno empreendedor, e como podemos ajudar, é gratificante”, completa Takara.

Câmara aprova concessão de crédito para pequenas empresas

A Câmara dos Deputados concluiu, nesta terça (30), a análise da medida provisória que concede uma linha de crédito especial para pequenas e médias empresas pagarem a folha de salários durante a pandemia do novo coronavírus. Agora, a matéria segue para o Senado Federal. O texto prevê uma linha de crédito de R$ 34 bilhões para garantir o pagamento dos salários em empresas com receita anual entre R$ 360 mil e R$ 50 milhões. De acordo com a proposta aprovada pelos deputados, em vez de dois meses previstos inicialmente, o empréstimo poderá financiar os salários e as verbas trabalhistas por quatro meses.

Também na sessão desta terça, os deputados terminaram a apreciação dos destaques, propostas que tentavam modificar o texto da Medida Provisória (MP) 944/20, editada pelo Governo Federal em abril. No entanto, todas as tentativas de modificação ao texto-base aprovado na semana passada foram rejeitadas.

Liberação do crédito

A medida cria o Programa Emergencial de Suporte a Empregos. Pelo texto, o empregador beneficiado fica impedido de demitir funcionários sem justa causa, no período entre a contratação do empréstimo e até 60 dias após o recebimento da última parcela da linha de crédito.

A proposta prevê a liberação de até R$ 2.090,00 (valor equivalente a duas vezes o salário-mínimo por empregado), e serão destinadas ao processamento dessas folhas de pagamento.

Segundo texto, o Governo Federal responderá por 85% do dinheiro das operações, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os demais 15% serão de recursos dos bancos que atuarem no programa. As operações de empréstimo poderão ocorrer até 31 de outubro de 2020, em vez de 30 de junho, como previa a MP enviada pelo Executivo.

O relator da proposta, deputado Zé Vitor (PL-MG), aumentou o alcance das empresas que podem acessar o empréstimo para incluir sociedades simples, as organizações da sociedade civil e os produtores rurais (pessoas físicas ou jurídicas). Originalmente, estavam incluídas apenas sociedades empresariais e sociedades cooperativas.

A taxa de juros será de 3,75% ao ano, com prazo para pagar de 36 meses e carência, incluída nesse prazo, de seis meses para começar a pagar a primeira parcela. Durante a carência, os juros serão contabilizados e incorporados às parcelas.

As linhas de crédito poderão ser utilizadas para acordos homologados perante a justiça do trabalho, cujo valor total não ultrapasse R$ 15 mil.

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