O Banco Inter apresentou, nesta terça (19), algo raro no setor bancário brasileiro: um balanço com prejuízo. Prejudicado pela marcação a mercado de títulos e valores mobiliários em tesouraria, o banco fechou o primeiro trimestre com prejuízo líquido contábil de R$ 8,4 milhões.

O resultado contrasta com o lucro líquido de R$ 12,1 milhões do mesmo período do ano passado, e com os ganhos de R$ 24,7 milhões no quarto trimestre. Em resposta, os investidores mostraram sua decepção no pregão desta quarta (20).

Desde o início deste ano as ações da instituição financeira despencaram 6,79%, negociadas a R$ 26,10. Já o Ibovespa, principal índice da B3, subiu 0,71%, atingindo 81.319 pontos.

Apesar destes números, nem o prejuízo divulgado, nem a forte queda dos papéis hoje, abalam a confiança dos analistas no Banco Inter. Os primeiros relatórios divulgados reafirmam a convicção de que a instituição está no bom caminho e que o resultado do primeiro trimestre é apenas um tropeço.

Futuro promissor

A Guide Investimentos, por exemplo, afirma que “o banco vem mostrando bons resultados desde que se tornou 100% digital, e durante a crise, isso se torna ainda mais vantajoso”. A gestora acrescenta que o Banco Inter “ainda mostrou uma série de inovações em sua operação, além de grandes avanços em seus números, se comparados a períodos anteriores”.

Por sua vez, Eduardo Rosman e Thomas Peredo, que assinam o relatório do BTG Pactual, seguem o mesmo caminho. A dupla afirma que a rentabilidade aos acionistas ainda será pressionada, nos próximos trimestres, pelo coronavírus, que afetará o montante de provisões para empréstimos não-performados, e por projetos do Banco Inter que ainda não amadureceram. Assim, o ROE (retorno sobre patrimônio líquido, na sigla em inglês) deve permanecer em um dígito por alguns trimestres.

“Mas sinalizamos muitos indicadores de performance inspiradores e um valuation mais atraente de US$ 1,1 bilhão, o que torna a ação uma opção interessante, dado seu potencial no longo prazo”, dizem os analistas.

Vale investir agora?

Para o BTG Pactual, a conjugação da queda acumulada de 39% do papel, neste ano, com a precificação de US$ 1,1 bilhão transforma o Banco Inter numa grande oportunidade de investimento, mesmo com o ROE de um dígito e a pandemia fazendo sombra sobre novos projetos. O BTG Pactual defende que o Banco Inter é mais atraente, por exemplo, que concorrentes europeus, já que possui uma licença plena para operar como banco, possui depósitos baratos e uma base de mais de cinco milhões de clientes, além de diversas inovações.

Por todos esses fatores, o BTG Pactual confirma sua recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 36 nos próximos 12 meses. O valor representa uma alta potencial de 28% sobre a cotação usada como referência pelos analistas.

Tormenta nos bilhões do SoftBank pode afetar Banco Inter

A estrutura do maior banco de investimentos em tecnologia do mundo, o SoftBank, do Japão, tem rastros dos estragos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). E podem, portanto, refletir em negócios no Brasil, como os investimentos no Banco Inter.

Em 2019, em curto prazo, o SoftBank assumiu 14,85% das ações (9,57% ON 20,52% PN – em 11/05/2020) do capital social do banco Inter. A operação foi via La Bi Holdco Llc, com sede em Miami (EUA).

A Covid-19 trouxe uma série de fatos que atingem a solidez do comando do controlador do SoftBank, Masayoshi Son: perdas de US$ 12,7 bilhões, vendas de ativos, US$ 41 bilhões, e recompra de ações, US$ 23 bilhões.

Contudo, de acordo com o Estadão, nesta segunda (18), o maior revés é a saída de Jack Ma do Conselho do banco. Ele é co-fundador do Alibaba, mais importante site de vendas da China. Motivo da baixa: contrariedade de Ma com a proposta de Son, de recompra de ações.

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