Enquanto investidores de Bitcoin e criptomoedas procuram entender a recente queda no mercado e traçam análises sobre uma possível recuperação do BTC, uma recente pesquisa realizada pela Capital Research, casa de análises 100% gratuita do Brasil, destacou que mais de 3,2 milhões de brasileiros estão perdendo dinheiro com investimentos tradicionais.

Dessa forma, de acordo com o relatório os investidores, quem tem sido “prejudicado” são aqueles que investem em fundos de gestão ativa. “Fundos de Gestão Ativa são fundos em que o gestor responsável possui mandato discricionário e que têm como principal objetivo superar um benckmark; na busca por identificar fundos pseudoativos (closet indexers) que, segundo a casa, cobram como se fossem ativos, mas na verdade não são”, aponta a pesquisa.

Resultados assustadores

Dessa maneira, o especialista em Fundos de Investimento da Capital Research, Rafael Amaral, que assina o relatório, afirma, com certa preocupação, que a conclusão dos resultados foi alarmante. “Os fundos são considerados a porta de entrada para o mundo dos investimentos, já que muitos investidores aceitam pagar uma taxa para delegar ao gestor do fundo a responsabilidade de escolher em quais ativos ele irá investir. No entanto, existem fundos ruins que se aproveitam desse desejo de comodidade do investidor para cobrar taxas abusivas e entregar retornos ruins”, explica o profissional.

Classificação dos fundos de investimentos

No relatório, Rafael Amaral analisou 274 fundos e classificou cada um deles de acordo com dois indicadores.

O primeiro deles foi o tracking error (TE). “O tracking error mensura o desvio padrão anualizado entre o retorno do fundo e o seu benchmark, ou seja, basicamente ele olha quanto o retorno do fundo desvia em relação ao retorno do índice de referência do fundo. Um tracking error baixo indica que o portfólio segue de perto a performance de seu benchmark, enquanto um alto indica o inverso”, detalha o especialista em fundos de investimentos.

Já o segundo indicador utilizado pelo especialista foi o R2. “Ele representa a porcentagem de desempenho do fundo, que pode ser explicada pela mudança de desempenho do índice de referência. Em outras palavras, o R² mostra quanto a variação do Ibovespa, por exemplo, explica a performance do fundo que se compara a ele, ou seja, quanto maior for o R2, maior a correlação entre o desempenho do fundo e o seu benchmark”, declarou Amaral.

Baixo rendimento

Assim, a partir do R² e DO tracking error, o analista de investimentos da Capital Research identificou uma quantidade relevante de fundos que entregavam baixa performance. “Uma combinação do TE menor do que 5 e com o R2 maior que 0.95 nos dá uma boa indicação de possíveis fundos pseudoativos. E descobrimos que 44 fundos analisados, ou seja, mais de 15%, se enquadravam nesses critérios, isto é, cobram taxas de fundos ativos, mas entregam uma performance abaixo ou muito semelhante ao benchmark”, alerta Amaral.

Uma vez identificados os fundos pseudoativos, o analista classificou os fundos de acordo com suas respectivas taxas de administração e resultados comparados ao Ibovespa, considerando o período entre junho de 2016 e junho de 2020. Para Rafael Amaral, nessa segunda análise, o que ficou evidente foi a importância de saber fazer escolhas conscientes e assertivas. “Os fundos com baixa performance são justamente aqueles que concentram a maior parte dos cotistas e do dinheiro. Ao todo, temos mais de 3,2 milhões de investidores e R$ 4,3 bilhões investidos em fundos que prometem – e cobram – por uma gestão ativa, com a promessa de entregar uma performance melhor do que o Ibovespa o que, na prática, não ocorre. Por isso, é importante saber escolher muito bem os ativos nos quais você investe, afinal, existe muito produto financeiro ruim sendo oferecido por aí”, conclui Rafael Amaral.