O patrimônio dos bilionários brasileiros aumentou US$ 34 bilhões (cerca de R$ 177 bilhões) durante a pandemia de coronavírus, segundo um levantamento da ONG Oxfam, divulgado nesta segunda (27). De acordo com o estudo da organização, entre 18 de março e 12 de julho, o patrimônio dos 42 bilionários do Brasil passou de US$ 123,1 bilhões (cerca de R$ 629 bilhões) para US$ 157,1 bilhões (cerca de R$ 839,4 bilhões). Esses dados foram compilados pela Oxfam foram extraídos da lista dos mais ricos da Forbes.

Histórias que inspiram

Os homens mais ricos do Brasil têm histórias de vida inspiradoras. Quem de fato quer trilhar o caminho da riqueza não pode deixar de conhecê-las. Os nomes foram levantados através de uma lista da Bloomberg, que possui um “Índice de Bilionários”, que contém as 500 pessoas mais ricas do mundo.

Vale destacar que este ranking é atualizado diariamente de acordo com as variações de mercado (já que elas podem alterar os valores das fortunas) e também com base em outras notícias, por exemplo: recebimento de herança, divisão de patrimônio por divórcio, entre outras.

Dentre os 500 nomes dessa lista, nove são brasileiros e você vai saber agora quem são eles e o que fizeram para chegar onde estão. Para completar a lista do top dez, acrescentamos outro nome, baseado em uma citação realizada pela revista Forbes, como uma das maiores fortunas brasileiras.

Continue conosco! Na sequência, a gente detalha um resumo da carreira de cada um deles, e o que fizeram para atingir o “topo da pirâmide” entre os mais ricos do Brasil e integrantes de listas de grandes fortunas mundiais.

1. Jorge Paulo Lemann, 80 anos, 3G Capital – Fortuna: R$ 77 bilhões

Com uma fortuna estimada em US$ 14,9 bilhões, Jorge Paulo Lemann é o homem mais rico do Brasil. Nascido no Rio de Janeiro, em 1939, Jorge Paulo Lemann sempre se destacou por onde passava, seja no esporte (pois foi tenista profissional, ganhando alguns prêmios) ou no mundo corporativo. Após se formar em uma das melhores escolas do Rio, Lemann foi aceito em Harvard para cursar economia. Formou-se em apenas dois anos e decidiu cultivar novas experiências no exterior, a fim de voltar para o Brasil com a bagagem certa para se destacar no setor financeiro. De volta ao Brasil, trabalhou em algumas empresas, sempre mostrando um diferencial, fato que o fez ganhar certa participação em seu último emprego e vendê-la por uma quantia considerável de US$ 200 mil.

Com este dinheiro e com capital de mais alguns investidores, Jorge comprou uma corretora de valores chamada Garantia em 1971. Dois outros nomes dessa lista entraram na vida de Lemann nesta época e acabaram se tornando sócios do negócio e crescendo com ele, são eles: Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira. Em 1983, o Garantia adquiriu as Lojas Americanas, tornando-se o primeiro banco a comprar uma empresa de outro setor para atuar diretamente em sua gestão. Já em 1989, a segunda grande aquisição foi a cervejaria Brahma, que na época não foi bem vista pelos outros acionistas do Garantia, já que a empresa estava praticamente falida. Essa jogada, no entanto, seria a grande “sacada” da vida de Lemann, pois anos depois de uma história marcante como um grande banco, o Garantia seria vendido e o legado de Jorge estaria nas mãos da ABInBev, a junção de: Brahma, Antártica, Interbrew e Anheuser Busch.

Essa fusão transformou a ABInBev na maior cervejaria do mundo. E Paulo Lemann em uma referência no Brasil e no exterior. Juntamente com outros três sócios, ele fundou a 3G Capital, que administra um grande conjunto de marcas importantes.

2. Joseph Safra, 82 anos, Banco Safra – Fortuna: R$ 65,9 bilhões

O libanês naturalizado brasileiro é detentor de uma fortuna de US$ 12,8 bilhões, que o leva à segunda posição dentre os brasileiros mais ricos do mundo. Descendente de uma longa linhagem de banqueiros, que data da origem do Império Otomano, Joseph Safra chegou ao Brasil na década de 60, já com 24 anos. A imigração se deu anos após seu pai vir para o Brasil para escapar das instabilidades dos países europeus, no período após a Segunda Guerra Mundial.

O Banco Safra, no entanto, só foi fundado em 1997, em parceria com seus irmãos Edmond e Moise. Ao longo das décadas, Joseph também diversificou seus investimentos, adquirindo participações nos ramos de telecomunicações, celulose, imobiliário, entre outros.

Atualmente, ele possui participação acionária majoritária em pelo menos três bancos. A abrangência de seus negócios no setor bancário é mundial.

3. Eduardo Saverin, 38 anos, Facebook – Fortuna: 57,1 bilhões

Cofundador do Facebook, Saverin acumula uma fortuna de US$ 11,1 bilhões. Boa parte desse valor é oriundo de uma ação judicial movida contra Mark Zuckerberg, da qual saiu vitorioso e garantiu uma parcela significativa de ações da empresa.

Hoje em dia, Eduardo mora em Singapura, onde trabalha como investidor, além de financiar alguns projetos de startups.

4. Marcel Herrmann Telles, 70 anos, 3G Capital – Fortuna: R$ 34,6 bilhões

O economista Marcel Herrmann Telles, formado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), é o quarto homem mais rico do Brasil, com patrimônio de US$ 6,72 bilhões. O início de sua vida profissional foi no Banco Garantia, já mencionado anteriormente na história de Jorge Paulo Lemann.

Ele cresceu rápido e ganhou notoriedade dentro da empresa, o que o proporcionou a tarefa de reerguer a cervejaria Brahma. Aos comandos de Marcel, a empresa não só saiu de um buraco de dívidas gigantescas, como auferiu lucros nunca antes alcançados, derrubando sua principal concorrente à época, a Antártica.

Juntamente com seus sócios: Jorge Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira, criou o fundo de private equality 3G Capital, responsável pelo controle de marcas como Burguer King, ABInBev, Kraft Heinz e Tim Hortons (rede de cafeterias).

5. Carlos Alberto Sicupira, 71 anos, 3G Capital – Fortuna: R$ 32,9 bilhões

Com uma fortuna estimada em US$ 6,38 bilhões, o último do trio de sócios da 3G Capital também é carioca e formado pela UFRJ. Sicupira cursou administração de empresas, diferentemente de Telles e Lemann que são economistas. Assim como Marcel, começou sua carreira na corretora Garantia, a qual ambos ajudaram a ser elevada ao patamar de banco de investimentos.

Sicupira foi o responsável pela reestruturação das Lojas Americanas, transformando totalmente sua cultura organizacional e posicionando a varejista como uma gigante de mercado, inspirada no Walmart.

O sucesso dessa tríade tem diversos fatores, mas o mais gritante é a vontade de aprender, pois quando começaram a expandir os horizontes e adquirir empresas de fora de seu ramo de atuação, a postura tomada foi viajar o mundo conversando e aprendendo com quem tinha expertise na área. Se eles tivessem se contentado em atuar no mercado financeiro e na zona de conforto em que se encontravam, hoje não seriam bilionários, pois o Banco Garantia por si só não seria capaz de proporcionar tal feito.

6. Pedro Moreira Salles, 60 anos, Itaú Unibanco e Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) – Fortuna: R$ 21,4 bilhões

Pedro Moreira Salles possui um patrimônio total estimado em US$ 4,15 bilhões. Nascido em Washington, Estados Unidos, mas filho de pais brasileiros, Salles possui dupla nacionalidade. Seu pai, Walter Moreira Salles, foi o fundador do Unibanco, que se juntou ao Itaú, formando a maior holding financeira do brasil.

Formado em economia pela Universidade da Califórnia, Pedro Salles preside o conselho administrativo do Itaú Unibanco e o conselho diretor da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

7. João Moreira Salles, 54 anos, Itaú Unibanco e Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) – Fortuna: R$ 20,3 bilhões

O patrimônio do irmão de Pedro Salles, João Moreira Salles, soma US$ 3,95 bilhões. Diferentemente do irmão, João não atua diretamente nas empresas das quais é acionista. Sua carreira é voltada para o cinema.

Atuando como roteirista, diretor, documentarista e produtor de cinema, ele e seu outro irmão, Walter Salles, trabalham na área e possuem uma produtora juntos, a VídeoFilmes.

Uma das suas obras mais ovacionadas pela crítica é o longa “Santiago”, de 2007, que figura no livro “100 Melhores Filmes Brasileiros de Todos os Tempos”.

8. Fernando Moreira Salles, 74 anos, Itaú Unibanco e Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) – Fortuna: R$ 20,3 bilhões

Fernando é o outro herdeiro do império Moreira Salles que trabalha diretamente com os negócios da família, junto com seu irmão Pedro. O patrimônio total de Fernando é de US$ 3,95 bilhões.

As informações sobre sua biografia são escassas, sabendo-se apenas que é formado pela FGV e é conselheiro do conselho de administração do Itaú Unibanco. Outro ponto de sua vida divulgada é seu apreço por poesia, tendo, inclusive, livros publicados, como: A chave do mar (2011), Ser longe (2003) e Habite-se (2005).

9. Walter Salles, 64 anos, Itaú Unibanco e Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) – Fortuna: R$ 20,3 bilhões

Completando o quarteto dos irmãos Moreira Salles, Walter, também conhecido como Waltinho, figura em 9º lugar no ranking dos homens mais ricos do Brasil, com US$ 3,95 bilhões. Waltinho é um diretor de cinema renomado, tendo se formado em economia pela PUC-RJ e em audiovisual pela Universidade do Sul da Califórnia.

Sua vida profissional é toda baseada na arte, tendo dirigido filmes como: Central do Brasil (1998), Abril Despedaçado (2001), Diários de Motocicleta (2004) e Água Negra (2005).

Uma curiosidade interessante: Walter Salles é o segundo cineasta mais rico do mundo, ficando atrás apenas de George Lucas, da franquia Star Wars.

 

10. Alexandre Behring, 53 anos, 3G Capital – Fortuna: R$ 22,1 bilhões

Fechando a lista dos homens mais ricos do Brasil, temos Alexandre Behring, que não figura entre os 500 bilionários listados no ranking da Bloomberg, entretanto, ele aparece na lista da Forbes, em sexto lugar. Segundo a revista, o patrimônio de Alexandre é de US$ 4,3 bilhões, oriundos de sua atividade como sócio na 3G Capital, ao lado de Lemann, Telles e Sicupira.

Assim como seus outros sócios, Behring é carioca, formado pela PUC-RJ em Engenharia Elétrica e fez MBA pela Harvard Business School, EUA. Durante sua brilhante carreira profissional, se aproximou de seu mentor: Lemann, até chegar a ser seu sócio na 3G Capital. Dentro da empresa, Alexandre é responsável pelo setor de “Restaurant Brands International”, que gere as redes de fast food Burguer King e Tim Hortons. Além desta atribuição, Behring também é presidente da Kraft Heinz, desde 2015.